terça-feira, 25 de abril de 2017

As atividades dos voluntários e a pedagogia Ayni

Olá Biblio Idealistas!

Já falei algumas vezes do trabalho voluntário na Cidade Escola Ayni em publicações anteriores, mas qual é o trabalho dos voluntários na Ayni? As atividades podem incluir bio-construção, artes plásticas (cerâmicas, vitrais e mosaicos), agricultura, jardinagem, paisagismo e carpintaria. Agora eu vou contar um pouco da minha experiência na última semana.


O trabalho começava ás 8h da manhã com uma reunião do grupo no viveiro de plantas. O Alexandre Resmini, que é responsável pelo paisagismo e sistemas produtivos da Escola, distribuía as atividades e orientava a execução.


No primeiro dia de atividades, colocamos pó de brita e brita rosa no círculo de fogo, um espaço aberto em formato de círculo onde as pessoas se reúnem para conversar e pode ser feita uma fogueira. O pó de brita e a brita rosa têm a função de proteger o calçado do barro, além de ser decorativo. Dentro da pedagogia Ayni, sentar em círculo tem uma função importante. É o momento em que as crianças são incentivadas a dizer como estão se sentindo. O hábito de perguntar como as crianças estão se sentindo é transformador para a relação delas com seus colegas e com o facilitador que está supervisionando esse momento.


No segundo e terceiro dias, usamos uma resina à base de água chamada hidroasfalto para pintar a parte das tábuas da horta que ficarão em contato com o solo, o que aumenta a vida útil das tábuas. Também cercamos a horta com as tábuas pintadas, fixando com pequenas estacas. Essas estacas receberam uma camada de hidroasfalto na parte que ficará embaixo do solo. O solo aqui é bem compactado e pedregoso, o que dificultou a fixação das estacas. A horta tem o formato de uma pizza com as fatias separadas, uma inspiração pra quem quer um jardim funcional. O plantio de mudas de orégano, manjericão, espinafre e sempre-vivas foi feito no curso de hortas urbanas, que aconteceu no sábado seguinte. Os vegetais cultivados aqui serão colhidos pelas crianças, que poderão montar sua própria pizza com ingredientes frescos e orgânicos. Preparar os alimentos, servir os colegas e lavar a louça é parte da pedagogia Ayni, pois desenvolve autonomia e senso de responsabilidade.





No quarto dia, levamos o pó de brita e a brita rosa até o parquinho que fica no meio da mata. O parquinho tem um formato não convencional, que estimula a criatividade no brincar. Os formatos e a altura dos brinquedos treinam o equilíbrio de uma forma segura, dando mais autonomia. O parquinho se integra à mata, recebendo a sombra das árvores e possibilitando brincadeiras com os cipós que caem. Para formar os futuros líderes, que deverão pensar fora da caixa, deve-se oferecer estímulos fora dos padrões retos e quadrados que geralmente vemos nos parquinhos.



O quinto dia foi dedicado à limpeza. Depois de carregar várias carriolas de terra e brita, limpamos o caminho e revelamos a beleza dos mosaicos que ladrilham a escola, preparando o espaço para receber o curso de hortas urbanas. Outro pilar da pedagogia Ayni é a conclusão de cada ciclo. A limpeza e organização fazem parte desse encerramento de ciclo e precisam ser incentivados pelos pais, conscientes do seu papel de educadores.



Além do trabalho na escola, que acontece 4 horas por dia, de segunda a sexta-feira, existe uma rotina de limpeza pesada da casa às quartas-feiras e feedback entre os voluntários e uma pessoa da equipe Ayni às sextas-feiras. O restante do tempo é livre para aproveitar a região, cozinhar, se divertir com a galera, descansar e o que mais der vontade. A próxima postagem será sobre a alimentação vegetariana na Casa do Bosque e a diversão no tempo livre. 

Se tiver alguma pergunta sobre as atividades dos voluntários na Ayni, pode escrever aqui embaixo que eu vou ter o maior prazer em responder.

Abraços carinhosos!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os Voluntários da Ayni

Eu já contei porquê estou fazendo voluntariado na Ayni. Mas você consegue imaginar quem são os idealistas que estão participando desse movimento? Até hoje a Ayni recebeu voluntários de 40 países, sendo cerca de 10 mil voluntários por ano. Vou contar um pouco da minha chegada em Guaporé e das pessoas que estão participando comigo.

Cheguei em Guaporé no final de tarde de domingo. Caminhei pelas ruas que sobem e descem até chegar na Casa do Bosque. Entrei pedindo licença e a galera parou o que estava fazendo pra me receber. Os 5 voluntários se apresentaram e mostraram os cômodos: duas salas (a de jantar e a da lareira), dois banheiros, dois quartos com duas beliches cada e cozinha.


A lareira estava acesa e tinha um ferro em brasa que o Bruno estava usando para fazer alguns pífanos (instrumento musical de sopro) em bambu. O Bruno era professor de Biologia e deixou a escola municipal onde trabalhava pra pegar a estrada com a companheira dele, a Mirna. A voz da Mirna é angelical e os dois juntos formam uma dupla perfeita. Além de cantar, eles são contadores de histórias. Estão cruzando o país numa Kombi, vivendo de arte, maravilhando crianças e adultos com as suas performances. Bateu a curiosidade? Assiste esse vídeo. O Bruno entra depois de 10 minutos e 30 segundos.


Na mesa de jantar, o Djoe e a Íris estavam editando um vídeo para a página A Brisa Dizilizante, onde eles contam sobre a viagem que estão fazendo de bicicleta com destino ao México. Nessa viagem, eles experimentaram formas de hospedagem que não envolvem dinheiro, como o Couchsurfing ou que envolvam troca por trabalho. A Pamela acompanhava o trabalho do Djoe e da Íris.

A Isabele é responsável pelos voluntários e chegou pra jogar Uno com a gente. Depois de algumas partidas de Uno, perguntei se a gente podia jogar o jogo da verdade, mas sem consequência. A galera topou e ficamos até meia noite matando a curiosidade sobre a vida de cada um. O jogo começou com perguntas picantes e terminou como uma grande terapia de grupo.

Na segunda-feira de manhã, Bruno, Mirna e Pamela partiram e chegou a Noeli, que é educadora e foi convidada recentemente para desenvolver trabalhos no Espaço Aldeia Viva, em Cabo Frio, um espaço pioneiro na região dos Lagos, que teve a Ayni como inspiração.

Ás 8h começa o trabalho voluntário, mas eu vou deixar pra contar sobre essas atividades na próxima publicação. Se você tiver perguntas sobre essa experiência, deixe o seu comentário aqui embaixo.

Gratidão a todos que estão acompanhando essa jornada!

Abraço carinhoso

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Por que fui fazer voluntariado na Ayni?

Olá Biblio Idealistas!

Vocês já devem estar sabendo que eu estou fazendo um trabalho voluntário na construção da Cidade Escola Ayni, em Guaporé, Rio Grande do Sul. O que algumas pessoas podem estar se perguntando é: por que você resolveu fazer isso?

Há muito tempo o voluntariado faz parte do que eu acredito ser um instrumento de realização pessoal, conexão com a comunidade e transformação social. Na Petronect, onde eu trabalho junto à Gerência de Serviços, sempre achei pessoalmente gratificante fazer o relacionamento com as instituições filantrópicas  do Projeto "Um Gesto de Amor". Na Cidadania Corporativa da Accenture, fui facilitador de ações realizadas em escolas para incentivar o empreendedorismo entre os jovens e orientá-los para se preparar para o mercado de trabalho em parceria com a Junior Achievement. Na Casa Maria de Magdala, trabalhava semanalmente como voluntário do albergue para enfermos. Essas experiências foram muito enriquecedoras e fizeram parte da minha busca por uma missão que desse mais sentido à minha vida.

Hoje eu entendo que a Educação é a causa com maior potencial transformador da sociedade, mas também acredito que o modelo de Educação mais difundido atualmente está falhando com as crianças e jovens de muitas formas. Para compreender esse ponto de vista, recomendo que você assista ao documentário "A Educação Proibida". Nessa busca por um modelo de Educação que fosse capaz de romper os paradigmas atuais, eu conheci a Ayni e me apaixonei pela proposta pedagógica. Recomendo que todos que atuam na área de Educação dediquem um tempo para conhecer e se inspirar!

Comecei a seguir a Ayni no Facebook na intenção de participar dos cursos até que o Thiago Berto, fundador da Ayni, foi ao Rio de Janeiro oferecendo um curso de 1 dia para educadores. Óbvio que eu participei e fiquei ainda mais empolgado de ir até Guaporé participar de outros cursos e botar a mão na massa como voluntário na construção desse espaço. O programa de voluntariado pode ser feito em período de 15 ou 30 dias, por isso eu precisava estar de férias para participar. Durante as minhas férias, além de participar dos cursos de bioconstrução e de hortas urbanas, vou estar vivenciando esse aprendizado como voluntário. Os cursos são pagos e a renda é revertida para a construção da infraestrutura. O voluntariado envolve 4 horas diárias de trabalho e eu recebo hospedagem na Casa do Bosque, que fica no Parque Ecológico Municipal.

A próxima publicação será sobre a minha chegada na Casa do Bosque e as pessoas que eu conheci aqui.

Abraços carinhosos!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Rolê em Porto Alegre

Olá Biblio Idealistas!

Hoje eu vou falar sobre o rolê em Porto Alegre pra fechar o ciclo da chegada na Ayni e aguçar sua vontade de conhecer a cidade. Além das pessoas que eu conheci na hospedagem Airbnb e as coisas bacanas que a gente fez juntos, eu fiz uns passeios sozinho que foram indicados pela Andrea. A Andrea é natural de Porto Alegre, minha amiga, mãe do coração e empreendedora na Florescer Artesanato. O primeiro passeio que ela disse que eu TINHA QUE FAZER era o ônibus de turismo, aquele de dois andares aberto em cima. A cidade tem duas linhas de turismo, uma que faz o roteiro Zona Sul e outra que faz o roteiro Centro de Histórico. Eu tava pilhado de fazer o Centro Histórico à pé, daí escolhi o roteiro da Zona Sul, que tem uma visão dos bairros mais bonitos de Porto Alegre. Tinha uma porção de casas de idosos pelo caminho e deu até vontade de passar uns tempos ali quando aposentar (se é que ainda vai ser possível com essa reformas na previdência). O ônibus passa por uma zona mais rural, chegando até o Santuário N. Sra Mãe de Deus, que tem dá uma visão panorâmica do alto da cidade. O passeio dura 1h30, custa R$30 e super vale a pena.

Depois eu fui fazer o rolê pelo Centro Histórico à pé. Começando no Mercado Municipal, comprei minha cuia de chimarrão, a bomba e erva mate pra curtir a vibe dos gaúchos no friozinho do final de tarde. Ainda não usei porque me ensinaram que é bom curtir a cuia com erva durante 3 dias antes de beber.

Uma curiosidade de Porto Alegre é que mercado é só o municipal, os outros mercados eles chamam de super. A chuva atrapalhou e não consegui continuar o roteiro pelo Centro Histórico... Voltei pra casa pensando em guardar energia pra baladinha!

O site da Secretaria de Turismo é massa pra descobrir o que fazer, bem atualizado e amigável, tem até uma sessão Porto Alegre LGBT. Foi nela que eu descobri que a festa Cadê Tereza, que rola no Rio de vez em quando, também rola aqui. Festa cheia, música boa, mas bateu arrependimento porque eu fui sem companhia, aí foi meio chato.

O domingo foi bem chuvoso e não deu pra ir no Brick da Redenção, uma feira de antiguidades tradicional que eu também TINHA QUE IR. Vai ficar pra próxima porque era hora de partir pra Guaporé.

Já estou na Cidade Escola Ayni! Esse lugar é mágico, as pessoas que estão dividindo essa experiência comigo são tão loucas quanto eu e eu não quero ir embora nunca mais kkkk. Amanhã eu vou contar um pouco do que tá rolando por aqui e como aconteceu esse movimento de eu querer participar como voluntário na construção dessa escola.
video


Um abraço carinho!

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