terça-feira, 17 de julho de 2018

Não maltratem as mães! Por Monica Pontes

Não maltratem as mães! Por Monica Pontes




Esse texto trata da experiência que muitas mães passam, quando nos procuram nos aconselhamentos escolares, na clínica ou numa conversa informal. Ele pede uma reflexão na forma como agimos no mundo. Por que acredito que todas nós, inclusive eu, em algum momento, nos sentimos assim.

Cito como escolha para esse tema o trecho do  texto “Bem vindo à Holanda”  da autora Emily Perl Kingsley que faz muito sentido em várias situações que passamos. Ele diz assim: Quando você vai ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias - para a Itália. Você compra uma penca de guias de viagem e faz planos maravilhosos. O Coliseu. Davi, de Michelangelo. As gôndolas de Veneza. Você pode aprender algumas frases convenientes em italiano. É tudo muito empolgante.

Após meses de ansiosa expectativa, finalmente chega o dia. Você arruma suas malas e vai embora. Várias horas depois, o avião aterrissa. A comissária de bordo chega e diz: "Bem-vindos à Holanda". 

"Holanda?!? Você diz, "Como assim, Holanda? Eu escolhi a Itália. Toda a minha vida eu tenho sonhado em ir para a Itália." 
Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar.”

E é aí que ele faz todo sentido no que quero abordar. De repente acontece com você algo inesperado e, necessariamente, não precisa ser um filho especial. Basta você, de alguma forma, perder o canal que te ligava a ele. Ele pode ter um TOD, um TDAH, Autismo ou apenas a rebeldia de algum momento.

Mas existe um fator que é cruelmente limitante: a culpa que é colocada em cima das mães. Pois é! Aí vem os grandes diálogos: - Falta do chinelo azul! -  Onde estava a mãe que não viu isso antes? - Um boa surra resolve! - E assim por diante...; sim, por que sempre é culpa das mães; não importa se é doença, transtorno, depressão, rebeldia. A culpa é das mães, o sofrimento é das mães e as palavras doídas são para as mães. E aqui vem uma pergunta que vos  faço: Como uma mãe ajuda um filho em algum momento difícil se vocês família, amigos, conhecidos, profissionais, ou seja lá quem for, enfraquecer essa mãe?

Então vamos pensar num pequeno guia possível? Quem quiser contribuir com mais, fique à vontade para colocar nos comentários. 


💛Não maltratem as mães. Evoquem o que há de melhor nelas. Lembrem das virtudes e qualidades que elas possuem.

💛Não maltratem as mães com psicologias que serviram para você, como se ela fosse incompetente, porque o caminho de cada um é diferente.
💛Não maltratem as mães com culpas desnecessárias; lembrem que as noites mal dormidas, a gestação, os cuidados e orações sempre foram delas.

💛Não maltratem as mães porque em algum momento elas gritaram com seus filhos; elas são humanas, erram também. Lembrem à elas, apenas, que somente pelo amor o elo se renova.
💛Não maltratem as mães dizendo que vão embora para que o problema não afete você. Se puder, fique. Contribua direcionando ao amor. Se precisar, peça ajuda.
💛Não maltratem as mães dizendo que estão desequilibradas, porque sim, em qualquer momento de dificuldade com seus filhos elas estarão; e falar o óbvio não vai ajudá-las. 

Seja, então, o fio condutor do encontro com a força interna que cada um possui dentro de si, que é capaz de fazer o impossível quando se trata de amor.

Lembrem-se que filhos com “problemas” carregam o choro calado das mães, as  solidões, os descasos, abandonos, o cansaço da estrada  e, às vezes, até agressões refletidas como um espelho. Eles não são indiferentes a isso.

Em trecho do livro “Vivendo, Amando e Aprendendo” do autor Leo Buscaglia, há um trecho que diz assim: “Somos fracos, somos vulneráveis, somos tenros, assustamo-nos com facilidade. Como somos tão frágeis é fácil ferir alguém, fazê-lo sofrer. Mas é quase igualmente fácil curar a ferida, com o mesmo meio usado para provocá-la. Depende do lado da pessoa em que você estiver.”

 

Então, evoquem palavras que elevem o espírito, que fortaleça e não diminua. Não julgue com base em suas opiniões. Há muito mais além disso, não seja mais um algoz. Seja elo,  elo de religação pela via do afeto, do amor, do espírito guerreiro de renovação. Lembre das virtudes do ser humano, que passamos todos por ciclos. Compreenda, tenha empatia e dê o seu melhor!

 

 

 

Amem as mães, mães-tias, mães-avós, mães-pais. Sejam o elo de amor! Contamos com vocês!

 

Até o próximo post!


Monica Pontes
Pedagoga, Neuropsicopedagoga, Especialista em Psicomotricidade

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