sábado, 24 de março de 2018

Body Positive - vamos falar sobre isso? Flávia Rebello

“Minha beleza, não é efêmera, como as que eu vejo em bancas por aí.”


Depois de um longo e tenebroso inverno – que durou mais de ano, diga-se de passagem,
eu estou de volta a esse querido espaço, para dar continuidade àquele bate papo nosso de
cada semana. E cá entre nós, eu estava morrendo de saudade! <3
Tanta coisa aconteceu... Mudei, mudei mais uma vez, e mais uma vez. Mudei de casa, de
cidade, de estado, de cabelo, de estilo, de pensamentos, e como vocês bem sabem,
se existe uma coisa nessa vida que eu gosto, é de mudança, não é mesmo?
Evolução, mores, evolução!
Hoje mais crescida, mais sofrida, mais esperta, mais desperta para novas oportunidades,
vou dividir novamente com vocês o que venho vivendo e aprendendo nesse mundão de meu
Deus, e para reconstruir essa nossa relação (eu sei que para alguns ainda eu estou
construindo), quero falar sobre algo que mudou a minha forma como me vejo, vejo o mundo,
e que mudou mais do que tudo a forma como eu me trato e me relaciono comigo mesma.
Começo afirmando que EU SOU A PESSOA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO, e não, isso
não é egoísmo. Reconhecer, entender e aceitar isso é um exercício, muitas vezes demorado
e doloroso, mas pelo qual todos nós um dia teremos que passar.
Aí vocês devem estar se perguntando:
- Mas por que você está dizendo isso, Flavia?
E eu lhes respondo:
- Porque foi só a partir do momento que eu aprendi o meu “valor próprio”, foi só a partir do
momento que eu me propus a me entender, a entender as minhas limitações, em todos os
sentidos, fraquezas e forças, que eu consegui compreender os mecanismos para levar a
minha vida de forma mais leve, com equilíbrio e positividade.
E qual era mesmo o assunto de hoje? Ah, sim! Body Positive! Mas antes que eu explique o
que isso quer dizer, preciso te contar brevemente como eu vim parar aqui, nesse assunto.
Acho que tudo começou quando eu nasci, porque eu sempre fui GORDA, mas no fundo o
que eu queria de verdade era ser MAGRA, e entre o que eu via e ouvia, isso foi internalizado
e virou uma verdadeira obsessão quando eu alcancei um certo grau de consciência.
Quando criança, apesar da zoeira das pessoas na escola, ou do balé (SIM, porque mesmo
GORDAAA eu fiz balé), ou do jazz, eu não me incomodava, até a chegada da temida
adolescência, sabe, aquela fasezinha do mal, onde a gente segue o que é ondinha pra
estar inserida num grupo ou contexto. E nessa de seguir ondinha eu resolvi que tinha
que emagrecer, e dediquei os anos seguintes da minha vida a esse objetivo, e o pior
de tudo é saber que eu não estou exagerando, pois eu não me lembro de um ano sequer
em que isso não estivesse em pauta. E todos os anos sem sucesso. A minha fase mais
magra, eu alcancei tomando fórmulas loucas de um médico nada sério.
Sabe, eu realmente acredito que alimentação saudável e exercício físico só tem a fazer
bem pra gente, mas já ouviram aquele ditado que diz que a diferença entre remédio e
veneno é a dosagem? Pois então, no meu caso, a dosagem foi de veneno.
Em um outro momento aqui eu já me abri sobre o transtorno alimentar (Bulimia) que sofri
na adolescência, e que com muito custo consegui vencer, na verdade, controlar, por muitos
anos, porque quem já passou por isso bem sabe que a vigilância tem que ser constante.
E durante anos, eu escondi de mim mesma a minha briga com a balança, com o meu corpo,
com os meus sentimentos em relação a isso tudo.
Foram anos nesse looping infinito de emagrece – engorda – emagrece, até que da última vez
eu jurei que iria. Sabe quando você fala aquele “AGORA VAI!” cheio de vontade? Então...
Criei projeto em rede social, investi pesado nessa nova tentativa, trabalhei isso com os
melhores profissionais, estive no meio de pessoas com histórias inspiradoras.
O que não faltou foi oportunidade, e tudo realmente estava indo de vento em popa,
e eu vivia entre planilhas, corridas, dietas, treinos regrados, corpo se transformando.
Estava tudo maravilhoso, mas no meio desse turbilhão de coisas que ocupavam meu tempo
integralmente, eu percebi que eu não estava feliz.
E perceber que isso tudo não me completava, não me dava um sentido, fez com o monstro
da ansiedade se aproximasse, e me levasse a um estágio poucas vezes antes visto.
Começava como uma euforia (sabe aquele friozinho na barriga?) que crescia e virava medo,
misturado com tristeza, vazio, desanimo, e logo vinha uma nova crise compulsiva.
Eu comia, saciava meus medos, e logo depois me culpava, pois havia dezenas de pessoas
esperando que eu realmente tivesse resultados. Que sofrimento!
Era um misto de tristeza com frustração, por buscar algo que eu julgava certo, por buscar
algo que me diziam ser o correto, mas que ao mesmo tempo me fazia tão infeliz.
Não me trazia sentido, não tinha equilíbrio. Eu não podia continuar me enganando...
A partir do momento em que eu me dei conta de que que a tal busca pela perfeição era
o que dava vasão ao meu transtorno de ansiedade, uma vez que eu vivia perseguindo um
padrão que para mim é custoso e inalcançável, a minha relação comigo mudou. É claro que
não foi da noite para o dia, pois isso é uma construção diária, mas hoje consigo ser flexível,
maleável, tolerante e ao menos enxergar o caminho do equilíbrio.
Esse insight se deu quando eu comecei a me fazer certos questionamentos. Até que ponto
valia a pena me privar? Estar magra aos olhos do mundo valia a minha infelicidade? Eu queria
aquilo, ou queria porque os outros queriam? Será que havia um meio termo? Onde eu queria
chegar? Qual o meu real objetivo?
Foi aí que nas minhas andanças pelo maravilhoso mundo da internet, atrás das minhas
inspirações eu descobri o conceito de “Body Positive” ou “Body Positivity”, e isso realmente
mudou a minha vida.
Mas afinal, o que é isso?
O Body Positive é um movimento nascido nos Estados Unidos, que surgiu como um grito de
liberdade na contramão dos padrões estéticos compartilhados pela mídia e grandes marcas
nos últimos anos, e tem por objetivo mostrar a beleza em todos os corpos, enaltecendo a
máxima de que cada um tem a sua beleza, e que ninguém tem o direito de julgar isso.
É uma forma amorosa de olharmos para nós mesmos, sem que nos penalizemos pelo que os
outros julgam ser um defeito em nós. É ter uma atitude positiva em relação ao nosso corpo.
Body Positive é um estilo de vida que vai mudar a sua forma de cuidar do seu corpo!
Muitas pessoas, com pouco conhecimento acerca do tema, o prejulgaram como o movimento
do conformismo, o que não é verdade. A beleza do movimento é exatamente a liberdade
que ele dá para que as pessoas se amem como elas são, estando dentro desse padrão
imposto, ou não. Se você ama treinar, é adepto das super dietas, e está em plena forma,
também pode ser Body Positive. Por que não? Mas se você não, ok! Tá tudo bem também!
Somos livres! O que ele quer quebrar justamente são as amarras da obrigação.
Se você está acima do peso, ou por problemas de saúde precisa emagrecer, ou tem algo
que queira mudar no seu corpo, você pode, mas entenda primeiro a sua motivação.
É por você? Ou é porque dizem que você precisa fazer? A sua motivação é se encaixar
no padrão? Pensa nisso!

Encerro esse meu retorno ao blog com essa reflexão, para que a gente continue esse
assunto na terça-feira, dia 27, as 15 horas na nossa Live, que vai rolar lá na fan page da
Biblio Ideias. Então pensa nisso e vem conversar comigo um pouco mais sobre isso.
Aguardo vocês todos lá!

 


Imagem: DAQUI

Então genteeee!

A gente tá mega feliz por ela ter voltado e você?

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