sexta-feira, 17 de junho de 2016

Achados da semana: Gente do bem! (Entrevista com Cláudio Porto, da Street Store SG)




Hoje, a nossa coluna de acha semana vem um pouquinho diferente. Gostaríamos de dividir com vocês algo maravilhoso que descobrimos há pouco: o projeto Street Store São Gonçalo.
Pra quem não sabe, esse projeto é gringo, começou na África e genericamente falando, a idéia consiste em montar verdadeiras lojas na rua, para que pessoas sem poder aquisitivo possam  “comprar”, sem nenhum custo, nessas lojas.

Parece simples, mas não é. Existe todo um mecanismo por trás que faz essa engrenagem girar, desde a captação das doações, triagem, higienização das peças, montagem da loja... Dá um trabalho gigante, mas ainda bem que existem pessoas no mundo como o Cláudio, que trouxe esse projeto para São Gonçalo.
Ele nos respondeu umas perguntinhas, e achamos que assim fica mais fácil entender, sabendo por quem faz, a importância dessa ação:


B I: Para começar, que tal falar um pouco de você e da sua historia com os projetos sociais. O que faz da vida e há quanto tempo está engajado na causa social? Quais projetos já participou?
C P: Meu nome é Claudio Porto, tenho 25 anos, sou estudante de gestão comercial e trabalho como correspondente bancário.

Perdi meu pai a pouco mais de 2 anos e herdei essa vontade de ajudar o próximo dele. Quando criança, nosso sustento era oriundo das vendas de cafifa (pipas) e em diversas épocas do ano, meu pai distribuía gratuitamente essas pipas para as crianças. Quando ele se foi, quis continuar essa tradição, porém as crianças da minha rua tinham crescido (obviamente) e eu não sabia em quais lugares poderia fazer isso. Nesse momento, através de um grande amigo, conheci a LAURA AGUIAR que vem a ser coordenadora do projeto VPGENTE que é uma frente social desenvolvida através do curso VITOR PRÉ VESTIBULAR que presta diversos tipos de assistência social em São Gonçalo. Contei minha história para ela e organizamos juntos uma ação sobre pipas. Organizamos diversos festivais de pipas simultâneos em 12 bairros de São Gonçalo atingindo centenas de crianças e resgatando essa tradição que vem sendo apagada por conta dos avanços tecnológicos. 
Daí pra frente, comecei a participar de todas as ações do VPgente: Orfanatos, asilos, ações no lixão de Itaoca, ações com moradores de rua, etc. 


B I: O que é o Street Store?

C P: A primeira loja gratuita para moradores de rua nasceu na Cidade do Cabo, África do Sul, em janeiro de 2014. Uma grade, alguns cabides, itens de vestuário e um pequeno grupo de voluntários foi o suficiente! Em apenas um dia, cerca de 3.500 pessoas foram atendidas e tiveram a oportunidade de escolher o que gostariam de vestir, como se estivessem em uma loja. Para muitos deles, acostumados a revirar latas de lixo atrás de restos e sobras, esta foi a primeira experiência de compras digna.

O Street Store é basicamente uma loja gratuita de roupas e calçados onde qualquer morador em situação de rua ou qualquer pessoa em situação social desfavorável poderá escolher a peça de roupa e o calçado que quiser.


B I: Há quanto tempo existe o Street Store São Gonçalo? Como surgiu a idéia? Quem te ajuda? Onde é? Por quê?

C P: O Street Store São Gonçalo está sendo organizado há mais de 2 meses. A ideia foi trazida pela Kamilla Assis e pela Lais Adelita. Na época, ambas me chamaram para fazer parte da organização. Em seguida, incluímos a Beathriz  e iniciamos os preparativos para organizar a primeira edição.
Mobilizamos as pessoas nas redes sociais na busca por doações. Fizemos contatos com algumas empresas para conseguir parcerias e vendemos a camisa do evento para arrecadar fundos para custear toda a estrutura (tendas, transporte, material gráfico, etc.)
Nosso grupo é composto por pouco mais de 40 voluntários, todos devidamente cadastrados. A primeira edição será no dia 19 de junho a partir das 09h, no antigo lixão de Itaoca em São Gonçalo. 


B I: Qual a expectativa para o Srteet Store SG?
C P: Para nossa primeira edição, estamos preparados para atender as mais de 250 pessoas que residem nesse bairro. Estamos levando mais de 3000 peças de roupas, mais de 500 pares de sapatos, além de kits de higiene pessoal, brinquedos e livros infantis. 
Nesse dia também estaremos prestando serviços de corte de cabelo (totalmente gratuito), um mega café da manhã para todos os participantes e muita recreação para as crianças do local.


B I: O que te move? Por que dos projetos sociais

C P: Antes das ações sociais, não conseguia superar a perda do meu pai. Com isso, participando de eventos sociais, eu o sinto mais perto, conseguindo transformar a tristeza que sinto pela perda dele em saudade. Depois de participar da primeira ação social, sempre me animo para a próxima. Ver a felicidade no rosto daquelas pessoas não tem preço. Virou rotina dedicar meus finais de semana a outras pessoas. Esqueço dos problemas, me sinto bem e começo a outra semana totalmente renovado. 

Bem gente, histórias assim merecem ser compartilhadas, e depois dessa não precisamos dizer mais nada. A humanidade só melhora diante de exemplos como esse, e é isso que nos faz manter a fé de que para esse mundo ainda há solução. Enquanto encontrarmos outros cláudios por aí, vamos seguir em frente. 
Nós já adotamos essa causa. Ajude também!
Bom final de semana! E lembrem-se: O que te sobra pode ser a única esperança de alguém.











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