terça-feira, 12 de abril de 2016

Sobre a ocupação das escolas

Marcela, que se tornou símbolo nas ocupações de São Paulo | Foto de Marlene Bergamo

          Em meio à onda de ocupações das escolas, o que não faltam são questionamentos em torno do assinto, assim como dúvidas quanto a legitimidade do movimento.
          Há alguns meses, em São Paulo, o movimento ocorreu como protesto ao plano de reestruturação das escolas, onde muitas seriam fechadas, e aqui no Rio, desde fevereiro, as ocupações começaram devido à crise que se instaurou na educação, pela má gestão dos recursos.
          Escolas negligenciadas, professores em greve e sem salários, assim como muitos outros de servidores do estado, alunos sem aula, mas com a maior arma de todas na mão: o conhecimento dos direitos.
          Não tem merenda, não tem água, não tem ar, não tem material básico pra escola funcionar, e assim, o osso estado vai empurrando a educação com a barriga, e ainda há os que acham que as ocupações são um absurdo. Absurdo é professor ter que ter várias matrículas para poder sobreviver. Absurdo é aluno ser dispensado porque a escola não tem recursos. Absurdo é a gente continuar achando que vai tudo bem com a educação do estado.
          De tudo o que eu tenho visto, o que mais me emociona é o engajamento e a firmeza dos secundaristas. Quem me dera ter essa consciência política e dos meus direitos quando eu tinha essa idade...
          Infelizmente fui criada pra ser levada com a maré, aceitando e sem resistência. Infelizmente cresci como parte de uma parte da população que desde sempre achou que tinha que fazer parte de uma engrenagem, que nasceu pra apertar parafuso, como em “Tempos Modernos”, do Chaplin. Mas felizmente, essa galera nova ta vindo com tudo, e com coragem, representando até os que pensam como eu pensava. São idealizadores de uma mudança, que hoje incomoda, porque tira muita coisa da zona de conforto, mas que é para um bem maior.
          Felizmente também, eu consegui virar a chave, e percebi que eu sou o único agente de mudança da minha vida, que não preciso fazer parte da massa que nasceu pobre para servir, só porque nasci dentro dessas condições. Aprendi a me posicionar, a reivindicar, a não me acomodar, a não aceitar migalhas do sistema.
          Minha intenção não é trazer questões de cunho político, mas acho que essas questões precisam ser sim debatidas. O movimento é legítimo, e a cada dia eu me surpreendo mais com a organização e maturidade com que isso vem se encaminhando.

          Pode ser que você não ache que a ocupação seja a melhor saída, e não deveria ser, se as coisas fossem geridas do jeito certo, com honestidade e transparência. O momento é delicado político e economicamente falando, mas é assumindo nosso papel de cidadão, que conseguiremos virar a página. Os estudantes estão em luta hoje, para que tenhamos uma educação melhor amanhã. 

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