quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PAPO DE QUINTA: Carnaval é tudo sonho e fantasia


Oi Pessoal, tudo bem aí? Carnaval chegando e em uma das nossas procuras por fantasia para a festa da prima Juh, damos de cara com uma camiseta no manequim, que dizia "sirva-se". Rodrigo, meu companheiro olhou e disse: "Cara, olha essa blusa) e a blusa estava acompanhada de uma saia tipo tutu, bailarina, que caiu no gosto da mulherada.
Lembro dos meus tios aguardando o desfile das escolas de samba, tarde da noite, especificamente o da Beija Flor, que tinha o hábito de desfilar muitas mulheres nuas. Fazia sentido por ser artístico, por estar saindo de um momento pós ditadura, por ser assim que viemos ao mundo, mas muita gente reclamava, achava ruim e tal. 
Acho lindo o corpo da mulher, o que é bonito é para se mostrar, até a página 2.
 Na minha opinião, concordo com a entrevista da Drica Moraes na Marília Gabriela, onde ela fala que todas essas mulheres nuas no carnaval, no fundo é um pequeno disfarce, porque a mulher está de fato acorrentada ainda a várias questões. Essa liberdade vai até a página 2. De fato é assim mesmo!
Relação, casamento, matriarcado está ainda muito ligado a uma ideia de se anular e é como se pagássemos um preço para manter essas coisas. Até porque do contrário, não funcionaria. 
Quando envolvemos crianças no meio, a formação de um ser, pensamos na família (hoje falo como mãe), o buraco é beeeeem mais embaixo, porque o carnaval mistura todo mundo na rua e fica difícil conciliar tamanho apelo sexual, bebidas, violência etc etc etc 
O carnaval tem um lado lúdico, tem um lado divertido, onde cabe a criança, a família, mas sinceramente, ver mocinhas com fantasias tão apelativas me faz pensar que sim, é direito delas fazer o que querem com o corpo, mas sim, elas são manipuladas por uma mentalidade e uma mídia sexistas, que em clima de comerciais de cerveja com mulheres quase nuas, mulheres dançando e sensualizando em programas de TV em horário familiar, BBB, capas de revista masculina e feminina, enfim, acho que o que compramos dessa mídia como liberdade sexual e com o corpo, trata-se de uma algema para sempre, porque é pesado estar de acordo com o "desejável", meninas novas se aventuram a uma vida sexual da qual não dão conta psicologicamente e socialmente falando e são estimuladas a isso. Muitas moças e mulheres embarcam nessa por necessidade de aceitação e afeto.
Não à toa, programas de moda tem mostrado como a mulher pode se transformar do sexy vulgar para o sexy elegante e as mulheres que se vestiam com espartilho, perna, peito e barriga de fora, no fundo acabam admitindo que criaram uma capa para se defender, para serem aceitas, para serem admiradas, mas no fundo não se sentiam assim e quando passam pela transformação e conseguem mostrar sua personalidade sexy, sem ser vulgar, se sentem valorizadas. Já vi isso no What not to dress e também naquele programa que a Gaby Amarantos apresenta e tenho pensado muito nisso, ultimamente.
Ás vezes penso: será que tô velha? Será que encaretei de vez? (Já nasci careta), será que virei moralista depois que meu filho nasceu? (Sempre questionei um comportamento livre em excesso).
Gente, liberdade, rima com responsabilidade.


   Lembra quando deu aquele bafafá com a camiseta para criança, "Vem ni mim que eu tô facin"? Pois é, Luciano Huck se desculpou e tal, porque estamos tão acostumados a passar para as crianças essa suposta sensualidade brasileira, incentivando coreografias, frases, etc, que erramos a mão. Lembro que minha avó me ensinou a requebrar ao som de "gatinha que dança é essa, que o corpo fica todo mole, é uma dança nova, que bole, bole, bole, bole...bole, bole, bole, gatinha" e eu requebrava até o chão, com 5, ou 6 anos...e aparentemente não tem problema, se for para minha avó, mas se tiver algum marmanjo pedófilo por perto, a coisa muda, não é? Tudo depende do contexto, claro! Mas, é comum as meninas começarem a sensualizarem com 4 anos ou menos. Salto, batom, bijoux, roupa curta e a cultura do "tenho que ser linda para ser aceita, para ser escolhida, para ser amada". Quando elas crescem, muda para "Sou livre, sou dona do meu corpo, faço o que eu quero". Mas o "faço o que eu quero" é muitas vezes, "Faço o que ele quer" ou "Faço o que esperam que eu faça".

Sinceramente, tirando o lado moralista, cultural, etc e tal, indo para o meu forte, a Comunicação: Se você está com uma blusa, dizendo "Sirva-se", num bloco de carnaval, você está dando cartão verde para qualquer um (homem, mulher, homem velho, homem novo, homem feio, homem bonito) se servir de você, é isso mesmo? Tem sentido? É necessário? 
Imagem é tudo, vendemos nossa imagem o tempo todo e a questão é que toda ação gera consequências e muitas vezes não estamos prontos para lidar com essas consequências e se a gente insistir que dá conta e que ninguém tem nada a ver com isso e tal, só vai disfarçar o que acontece de verdade: tristeza, vazio. Questão de dar o braço a torcer ou não.

    Carnaval é tudo sonho e fantasia. Não deixe falsas ilusões te aniquilarem. Curta o lado lúdico, leve e divertido da folia! Depois da quarta de cinzas, tudo volta ao normal, você não é a odalisca, dançarina de can-can, ou stripper, mas a mãe, a filha, a irmã, a professora, a aluna, a namorada, a esposa, não adianta, ninguém vive numa ilha. Na dúvida, pergunte-se: Eu me envergonharia disso daqui a muitos anos?

    Não se exponha desnecessariamente! Não ligue ou mande whatsApp bêbada e não poste fotos sensualizando! As redes sociais estão aí para que as pessoas comuniquem o que devam e infelizmente o que não devam. Quem gosta de você vai ver e compartilhar e quem não gosta também! Então, preserve sua imagem, se cuide, se hidrate, use roupas leves se for para o bloco, beba muita água, leve lanchinhos saudáveis e sua auto estima, independente do tamanho ou da frase da sua roupa! Se você curtir amor de carnaval (conheço quem se conheceu em micareta e tá casado e morando na Inglaterra, com dois filhos), que ele seja leve, divertido e respeitoso, sim, minha filha, respeito é bom e todo mundo precisa!

Eu sairia com a seguinte camisa: Give yourself a little respect! (Se dê um mínimo e respeito) Fui!









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