terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Minimização do Assédio Não! Vamos fazer um escândalo, com mais essa polêmica no BBB

By Nó Cultural (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)

          Olá queridos, tudo bem?

          Esse é mais um dia daqueles em que eu já tinha um post engatilhado, mas as circunstâncias me fizeram escrever um novo, e embora o meu objetivo não seja mostrar meu ponto de vista buscando fomentar polêmicas, é meu papel, como defensora dos direitos das mulheres, e tendo um espaço para expor minhas ideias, falar sobre certos assuntos, mesmo que delicados.
          Mais uma vez vou falar de uma polêmica do BBB, e não pensem que me orgulho disso, mas confesso que depois do meu post de semana passada, passei a dar mais atenção ao programa, pois percebi que haviam algumas coisas ali que precisavam ser analisadas mais a fundo, afinal, sendo um programa roteirizado, ou não, trata de comportamento humano.
          A mesma Ana Paula que citei semana passada, que se disse machista, se envolveu em uma confusão com o participante da barba azul, o Laércio, e dessa vez, acho que "machismo" que ela dizia concordar, começou a se desconstruir, quando ela repreendeu o comportamento do colega de confinamento, pela forma com que ele olhava e se portava diante das mulheres da casa, em uma determinada ocasião.
          É bem verdade que já havia uma implicância da parte dela, e talvez por isso ela tenha sido dada como histérica e exagerada, e também pelo jeitinho explosivo que ela tem ao expor seus pontos de vista, mas o fato é que ela conseguiu alcançar uma questão importante: assédio não é só quando um cara passa a mão em uma mulher, ou fala algum tipo de obscenidade, ou quando pratica atos violentos contra ela.
          Laércio já havia confidenciado a Ana Paula sobre a sua predileção por "novinhas" e que sempre se relaciona com meninas muuuuuito novas, até que numa noite de discussão, e após ela tê-lo flagrado olhando maliciosamente para uma participante novinha da casa, o que fez com que Ana Paula ficasse visivelmente incomodada, ela o chamou de pedófilo, o que foi mal visto por muitas pessoas, dentro e fora da casa.
          Acontece que no meio dessa briga, me lembrei de uma coisa: logo que o nome do participantes foi divulgado, uma menina relatou em uma rede social que, em certa oportunidade, Laércio havia embebedado uma amiga dela, de apenas 15 anos, e teria se aproveitado da "novinha" (aqui). Se é verdade ou não, isso só será esclarecido ao fim do programa, mas que há algo aí que está estranho, e precisa ser investigado, ah, isso tem, pois o mesmo, em seu perfil no Facebook, já se disse efebófilo, ou seja, adulto que tem atração primária por pessoas na pós-puberdade.
          A parada rendeu, e muitos acharam que a atitude dela foi exagerada, tomaram partido do cara, e por mais que a participante que recebeu os olhares tenha dito que não se importa com esse tipo de coisa, é preciso deixar claro, que a partir do momento em que a pessoa que recebe tais olhares não gosta, não aceita, não concorda, se sinta desconfortável, intimidada ou desrespeitada, isso é sim assédio.
          Assédio não pode ser minimizado! Essa foi a melhor definição que poderia ter encontrado nas redes sociais, e por mais que eu não concorde com a maioria das asneiras que a Ana Paula fala, acho que a discussão veio em ótima hora, pois o carnaval tá aí, e muitos caras usam a bebida como desculpa pra abusar de mulheres, afinal, para eles, se a mulher tá na pista, é pra negócio. E digo mais, essa discussão veio a tona num veículo de comunicação gigante, e desse modo, dá pra ver direitinho que a cultura machista pode começar pela banalização de um olhar malicioso, afinal, desde pequenas somos condicionadas a acreditar que olhar não arranca pedaço, que o que é bonito tem que ser admirado, e bla, bla, bla...
          Muitas meninas cresceram se culpando dos assédios que sofreram ao longo da vida, e quantas outras deixaram de usar a roupa que tinham vontade por medo do assédio que poderiam vir a sofrer, pois acabariam se culpando mais uma vez.
          Lembro com dor do caso da Valentina, a menina do Master Chef infantil, que com apenas 12 anos recebeu uma enxurrada de mensagens misóginas e nojentas, de pedófilos ridículos que objetificaram uma criança, em prol do seu próprio prazer, divertimento, fantasia, doença, ou seja lá o que for, mas me lembro também do vídeo brilhante da Jout Jout abordando o assunto e de todas as ações da Think Olga, e de todas as mulheres maravilhosas que encontrei por essa minha caminhada, que confesso ser difícil, onde muitas vezes sou incompreendida, mas muito gratificante, sempre que consigo fazer uma mulher entender que a culpa do assédio não é dela.
          Já falei isso aqui uma vez, e preciso repetir: não é a mulher que tem que se esconder, é o homem que precisa entender que o corpo da mulher não é público.
          O paredão é hoje, e eu não quero entrar no mérito de quem vai ou não sair, mas confesso que a Ana Paula ganhou um olhar diferente meu quando abriu brecha pra esse tipo de discussão. Não podemos deixar que diminuam o que demoramos tanto tempo para verbalizar, e como diz a Jout Jout, não vamos ficar quietinhas, como era de se esperar... Vamos fazer um escândalo!
          E se alguém aí tem dúvida do que é assédio, vale ver o vídeo da Jout Jout.





3 comentários:

Marcelle Rebelo disse...

Então, Flavia, complicado isso demais! Que bom que essas questões femininas estão vindo à tona em pleno BBB, onde a pegação, o corpo da mulher, as capas em revistas masculinas são o básico da exposição feminina. Fico feliz que esteja trazendo esse tema para discussão. Meu post de quinta também fala sobre comportamento feminino e uma blusa onde a menina usa a seguinte frase: "Sirva-se" e sai para os blocos...e nesses casos? Como fazer o outro entender que o corpo dela não é público? A questão é tênue e temos muito para debater...

Marcelle Rebelo disse...

E super legal a reviravolta da Ana Paula! Machistas e feministas se confundem!

Flavia Rebello disse...

Ao contrário do que as enquetes apontavam, o Laércio foi eliminado, e acredito que realmente tenha a ver com a campanha que muitas feministas fizeram, nos fazendo a pensar em quantas vezes minimizamos os assédios sofridos durante toda a vida, porque todo mundo tenta botar panos quentes, afinal, é mais cômodo que encarar o problema.
Já no caso do sirva-se, infelizmente, ainda existem muitas mulheres que tem a cultura machista e patriarcal entranhada, e sequer percebem, a maioria delas realmente pensa que a auto objetificação é o único caminho para se relacionarem, e ainda acham que estão no lucro. :/

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