terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Esponja racista, patricinha machista e senta lá, Cláudia...



          Uma semana de BBB, e o que não faltam são metros de pano para manga. Não que eu seja uma espectadora assídua do reality, mas não sou alienada, e é claro que vendo algumas polêmicas, não tenho como me manter alheia.
          Antes de começar a dissertar, gostaria de dizer que esses são meus pontos de vista, e sei que haverão uns pra concordar, outros pra discordar, mas o objetivo é esse mesmo: plantar a sementinha para reflexão e abrir margem para um diálogo, ok? Ok!

Esponja racista

          Acho que essa foi a primeira polêmica dessa edição. Um boneco negro com cabelo afro, para ser usado como esponja. Tudo bem que esse é só mais modelo dentre outros da coleção, lançado pela empresa britânica Paladone, que já havia sofrido represálias anteriores por causa do mesmo produto, mas calma lá!
          Houve muita discussão sobre a infeliz, e se era ou não racismo, já que a empresa tem também esponjas em formato da rainha da Inglaterra, de um punk com moicano, um soldado da guarda inglesa, entre outros, mas o fato é que em uma sociedade altamente racista, onde negros ainda são agredidos e rechaçados por uma suposta supremacia branca, não dá pra abrir esse tipo de precedente, ainda mais em um canal de TV aberta, comprovadamente o mais assistido do país (infelizmente...).
          Pra muita gente não é racismo, mas pergunta se alguma dessas pessoas já sofreu algum tipo de preconceito por ter cabelo afro. Não, não sofreram... Pergunta quantas foram apelidadas de cabelo de bombril na escola, por que tinham cabelo crespo. Nenhuma... E sabem por quê? Porque eles não tem cabelo afro. Só quem tem, e já teve problemas de aceitação, seja autoaceitação ou a aceitação dos outros, sabe do que eu estou falando.
          Defendo essa bandeira, não só por conviver entre inúmeras cacheadas e crespas maravilhosas, mas porque, com um pouquinho de discernimento que tenho, consigo ver além do meu umbigo e enxergar que existe sim preconceito, que a questão da imagem e da representatividade ainda é um problema, e por saber que, embora exista muita gente esclarecida do mundo, ainda tem muita gente babaca que se acha superior por ser branco, e hostiliza negros, muitas vezes por não admitirem que eles possam estar conquistando seu merecido espaço.Vide o caso da Thaís Diva Araújo, Sheron Maravilhosa Menezes e Cris Fantástica Vianna. (reparem que muitos dos comentários se referiam ao cabelo como bombril).
          E tu ainda vai me dizer que é só uma esponjinha inocente? 

Patricinha Machista

          Outra polêmica foi a declaração jornalista desempregada que é bancada pelo papai, Ana paula. Ela diz ser machista, e que o mundo tem que ser machista. Que a mulher pode levar café na cama, que o homem TEM que ser o provedor, e que as mulheres estão muito "pra frente". What?
          Aff... Quem me conhece sabe o quanto eu me coço ouvindo uns absurdos desses, não só por querer equidade de direitos entre homens e mulheres, mas por saber que ela é apenas uma entre as centenas de mulheres que pensam desse jeito.
          Mas aí, esfriei a cabeça, fui rever os contextos e cheguei nas seguintes conclusões:
1- É muito fácil defender o machismo e a cultura patriarcal quando se é sustentada pelo pai até hoje. Isso pra mim não é nem ser machista, é ser preguiçosa, ou pior, isso tem cara de ser medo: medo de não conseguir alcançar o sucesso com o próprio esforço.
2- Erradamente as pessoas acham que defender a equidade de direitos é abdicar das gentilezas e dos cavalheirismos. Homens podem ser gentis, abrir a porta do carro, puxar a cadeira pras mulheres no restaurante... O fato de aceitar gentilezas não me faz menos feminista, ou mais submissa... O que não pode é um homem e uma mulher que ocupam o mesmo cargo terem salários diferentes. O que não pode é um homem sair pra curtir na night, pegar geral e ficar com fama de fodão, e a mulher sair sozinha pra curtir a night e ficar com fama de galinha. O que não pode é uma mulher ser assediada e agredida pela forma como se veste, ou pior, deixar de sair, pois tem medo do que pode acontecer.
          Infelizmente as pessoas ainda tem uma concepção muito errada do feminismo, e acho que todo mundo deveria ler o texto que a Clara Averbuck escreveu para a Carta Capital. Ser feminista não me tira o direito de ser feminina, ser feminista não me faz ser lésbica automaticamente, ser feminista não é ser contra os homens... Acho que as pessoas precisam ao menos entender, para só depois tirar suas conclusões, para apoiar ou criticar, combinado?

Senta lá, Claudia!

          O comentário de domingo nas internets da vida foi o beijo de Cacau, a Youtuber maria Cláudia, e do Matheus, o que seria normal, e aceito numa boa, se a menina Cacau não fosse GORDA, e o cara o maior gato. Houveram os preocupados, achando que o menino só estava jogando, para garantir sua permanência na casa, e quanto a isso eu não vou nem me pronunciar, porque sinceramente, não estou acompanhando o programa. Quero me ater aos cometários gordofóbicos que tive o desprazer de ler.
          As pessoas ainda não aceitam o fato de que uma menina gorda possa ficar um um cara bonito, ainda mais nesse momento onde o apelo estético é gigante, a ideia do que é belo se tornou o padrão ditado pela mídia, onde o desespero em ter o corpo e a beleza ideais faz com que muitas meninas desenvolvam distúrbios e transtornos psíquicos e alimentares. Treinar é o verbo do momento, e em tempos de lowcarb, glúten free, nolac, comidas em pó, e tanta gente se esforçando pra alcançar um padrão inexistente, coitada da gordinha que consegue conquistar o bonitão mesmo sem tantos pré requisitos.
          Se foi fake, golpe de mídia pra conseguir audiência, ou se o pega foi só uma estratégia do rapaz para conseguir permanecer na casa, eu não sei, mas que foi bom ver um monte de gente botando a cara na rede pra revelar seus preconceitos mais ocultos, ah, isso foi.
       Gordofobia existe, e eu digo isso por experiência de causa, e não é só quando o assunto é relacionamento não. Muitas empresas deixam de contratar pessoas gordas, assim como muitas vendedoras se recusam a atender pessoas gordas nessas lojas mais moderninhas. Não viram o caso da Farm? Amo a loja, amo o conceito da marca, mas que de vez em quando eles dão umas escorregadas, isso eles dão.
         Já quis ser magra, já sofri de transtornos alimentares, recuperei minha autoestima sendo modelo plus size, e hoje só quero ser saudável. Hoje já não carrego tantos quilos quanto na época em que fui capa do Extra de maiô, mas ainda quero melhorar em alguns aspectos. Acho que devemos antes de qualquer coisa, aprender sobre amor próprio, e eu realmente me amo, mas o fato de me amar, não quer dizer que eu não queira mudar algumas coisas em mim. Acho que esse é o princípio do entendimento... É a gente ser, e fazer, o que nos faz bem, e não o que a mídia impõe. Capitou?

          Por hoje é isso, meus bens... Um beijo, Brasil!!!
          E pra quem ficou curioso em ver a gordinha de maiô na capa do jornal, segue...



8 comentários:

Dafne King disse...

tá linda Flavinha !!!

Flavia Rebello disse...

Obrigada, Dafne! Bom te ver por aqui. :)

Elisa Alecrin disse...

O que comentar, não é mesmo? Você disse tudo! É tão comum se ouvir discursos de defesa a determinadas causas, que só quando isso é meio que "posto à prova" em "detalhes" dentro de um reality show como o BBB, que a real opinião das pessoas se revela.

Elisa Alecrin disse...

Ah, acabei esquecendo de falar no comentário anterior. Você simplesmente ARRASOU de modelo plus size ❤

Flavia Rebello disse...

Elisa, acho mesmo que a nossa amada blogosfera tá aí pra isso... para botar mesmo o dedo na ferida, e usar esse dom, o de ser formador de opinião, para botar esses assuntos em pauta. Muita coisa é escondida debaixo do tapete, porque é indelicado, mas tem horas, que a verdade tem que doer...
E essa parada de modelo aí, foi uma experiência no mínimo divertida. :)

Obrigada, lindona, e o convite tá de pé!

anielli carraro disse...

Muito bem escrito. Gostei bastante. Te conheço há muito pra reconhecer sua dignidade neste texto. Bjo Flavinha. Continue.

Flavia Rebello disse...

Oi Ani, muito obrigada... Sabes que te admiro demais, e fico muito feliz recebendo elogios seus. Um beijo!

Marcelle Rebelo disse...

Essa menina sabe dar opinião! Eu sinceramente, não estou acompanhando o BBB, mas confesso que gosto de espiar para ver a casa, as decorações de festas e os tipos que aparecem. Eu vi a esponja quando você postou no Instagram e achei divertida, porque amo sair de black no carnaval, curto objetos divertidos na casa, para que o ofício fique mais leve, mas concordo com tudo que você falou! Mesmo. Tem horas que não podemos dar um mole desses, porque as pessoas tem muito preconceito com cabelo afro. Outro dia eu estava em uma festa e fui elogiar uma criança gordinha, ruiva, com cachos e a tia dela disse que a garota parece um urso e que ela não sabe de onde veio esse cabelo...então eu fiquei bem triste, com essa dura realidade, que crianças, meninas, passam até dentro dos seus lares. Que trocassem as esponjas e coloquem a rainha da Inglaterra e todas as outras. Quanto a Cacau...eu acho que ela é linda! Não sabia que era You Tuber e nem do beijo, mas como gorda, já sofri muito esse preconceito, meu marido é alto e esguio (ninguém olha para a barriga dele, mas para a minha...) e perguntam como eu consegui um marido tão bonito...enfim...concordo mais uma vez, se serviu para trazer a discussão, vamos falar desses assuntos! Cabelo afro não é bombril ou inferior e gorda pode ficar com caras gatos sim! Beijos!

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