quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

PAPO DE QUINTA: E quando Meninas resolvem fazer o que é aparentemente dominado por Meninos?


Olá, o Papo desta quinta-feira, desta semana chuvosa, com alergias e resfriados tomando conta dos home offices dos criativos Biblio Ideias é sobre quando uma menina ou mulher resolve atuar em uma área dominada por homens. Você já esteve no terreno deles? Como foi para você? Eu já estive há alguns anos atrás fundando uma tropa de escoteiras, em um grupo tradicional, que há 32 anos só aceitava meninos! Então, eu que cresci em meio a dois primos e seus amigos, enfrentei o desafio, com minha prima, uma amiga e as companheiras que ali conheci.Essa não foi a primeira vez em que me vi em terreno masculino. Fiz capoeira (dá pra imaginar) em um grupo onde quase não havia meninas e fui presidente do diretório acadêmico na faculdade, com uma equipe de 10 pessoas, onde somente 3 eram meninas, depois, vim a ser gerente geral de uma empresa americana no Brasil...eu comento sobre isso quando falo diretamente no Mulheres no Comando, que está agendado para março de 2016, e vi como o feminismo é importante, principalmente nos dias de hoje. Não fosse assim, a Jout Jout não teria feito tanto sucesso, bem como outras mulheres que  trazem a questão do feminino para suas pautas.

Eu percebo que quando vamos estrear em terreno masculino, temos uma tendência a nos tormarmos frias, competitivas em excesso e tendemos a nos brutalizar um pouco além da conta e esse é o caminho para a infelicidade, para nos afastarmos da essência, do sagrado feminino e precisamos nos policiar e assumir lugares de poder, com firmeza, compromisso, mas, sem perder a ternura jamais.

Eu atuo nas mídias digitais e percebo que 99% das minhas clientes são mulheres e talvez porque nós mulheres somos mais comunicativas, gostamos de escrever, de compartilhar o que sentimos, o que pensamos e não a toa surgem orientações para negócios e cursos de empreendedorismo digital liderados por mulheres o tempo todo, como o Negócio de Mulher, o Turbotex, dentre outros, que sou fã, sigo e recomendo.

Claro que há homens talentosos nessa área também, mas me impressionou ao longo do ano, como as mulheres se envolveram em eventos de mídias digitais!

Bem, eu me lembro até hoje do rosto da primeira motorista mulher, que vi dirigir um ònibus da linha Ingá.

    Léa Aguiar fez história e foi a primeira motorista mulher a dirigir ônibus. Acredita que ela foi parada por um policial, que a levou para a delegacia e lá ficaram com cara de tacho ao verem que ela era habilitada e tinha autorização para dirigir o ônibus?

    Mesmo sendo motorista de ônibus, função extremamente masculina, Léa sempre foi super feminina, usava maquiagem, óculos coloridos, cinto, blusa por dentro da calça e era impecável na direção. Adorava voltar da escola e vê-la ao volante. Aquilo me marcou, sabia?

   Pois Léa não sabe, mas passou a ser minha musa inspiradora quando o assunto é liderança feminina, pois competência não tem nada a ver com se masculinizar. E não adianta estar com saltos, maquiagem e bons cortes de roupa, se as atitudes são grosseiras, embrutecidas e denotam que a mulher nesta situação não sabe lidar com o poder. Lidar com o poder é difícil para todos, homens e mulheres, com certeza, mas não dá para aceitar quando mulheres lutam por direitos iguais, equidade de gêneros e quando se vêem chefes, mães, sogras, líderes, repetem erros que homens experientes cometeram. O desafio é levar características femininas para essa liderança. A comunicação, a perseverança, a intuição, a colaboração estão entre elas, não acham?

    Eu tenho uma paixão antiga: Fuscas e adora ver a série, Se meu fusca falasse. Ainda não dirijo, fui reprovada e essa não será uma resolução resolvida em 2015 ainda, mas eu me vejo dirigindo fusca, ônibus, kombi e nunca um bom carro de passeio. Preciso mudar minha tela mental e me aproximar do que desejo que aconteça de fato, para que eu tenha essa liberdade de ir e vir (desde que com combustível, imposto e seguro pagos e crédito no celular), mas preciso muito romper essa barreira e dirigir por aí! Vai ser fundamental para mim, como mulher!

Hoje à tarde, sentei com meu filho para ver a um filme, no clima de sessão da tarde, usando o Netflix e vimos o Herby, totalmente turbinado com a linda Lindsay Lohan no volante.

A história é um remake e me chamou a atenção ao fato de que a personagem é neta de um grande corredor, ama corridas, está se formando no segundo grau e vai sair da cidade para trabalhar em uma revista de esportes, mas até que recebe o antigo Herby (ainda detonado) de presente e sua paixão por dirigir e correr é estimulada a partir dos poderes mágicos do carro (não é assim que nossos instrumentos de trabalhar com o que amamos nos parecem?) e com o apoio de um amigo, mecânico, que a enxerga como uma grande corredora, apesar de seu pai, achar que corrida não é para meninas. Ao sofrer um acidente, seu irmão, também a apoia, exigindo que ela o substitua, mas ela diz que vai, se o Herby (fusca fofo) for o carro da corrida.

  Durante o filme, você enxerga o machismo, o ambiente hostil com a nossa corredora e vai se identificar com questões culturais que ainda permeiam salas de TV, escritórios, calçadas, oficinas etc.

   Comente aí se você conhece uma mulher que seja excelente motorista, ou que lide bem com ferramentas, ou seja uma excelente tatuadora...

  É cansativo ver o quanto nós mulheres precisamos nos esforçar para provarmos o nosso talento, termos reconhecimento e ainda por cima lidarmos com ar de desconfiança da nossa capacidade. É exaustivo saber que mulheres no mundo todo ainda recebem 70% menos do que os homens, independente do setor que atue. Esse ano, até as divas de Hollywood manifestaram-se quanto à isso.

   Lutar por direito à equidade é nosso dever e não pode ser com fúria, nem com mimimi, será que acharemos o tom? Fique com o trailer do filme, que com leveza, humor pode ser uma boa para trazer essa discussão na escola, em casa, ou no trabalho. E continue guiando sua vida e perseguindo seus sonhos, com sua intuição. Já escreveu o que vai realizar em 2016? Anote, gata! E que venham muitos pais, amigos, chefes, namorados, filhos para te apoiar, porque sim, o apoio deles faz toda diferença para nós e essa luta é para que sejamos mais felizes e quem nos ama, quer nos ver felizes, certo?



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