terça-feira, 3 de novembro de 2015

E quando os papeis se invertem?

       

          Como muitos sabem, passei as duas últimas semanas na casa da minha mãe, para ajudá-la pois ela passou por uma cirurgia. Deveria ter sido um procedimento simples, sem grandes restrições no período pós operatório, mas como nem tudo sai como o planejado, ela precisou de mais cuidados do que imaginávamos. 
          A internação se estendeu além dos dois dias programados, e nesse tempo ela ficou completamente dependente, já que ela não conseguia fazer nem as coisas básicas sozinha. Nos cinco dias em que “moramos" no hospital, cuidei dela com todo amor, dando comida na boca, ajudando-a a se levantar, tomar banho, se vestir, caminhar… E foi assim, nesse momento em que vi minha mãe no momento de maior fragilidade de sua vida, refleti sobre como os papéis ali tinham se invertido. 
          A mãe que um dia cuidou de mim, agora precisava ser cuidada, protegida e acalentada. Nesse momento, tive a consciência de que os pais envelhecem, e que um dia será preciso cuidar deles, assim como fizeram com a gente quando éramos incapazes de nos cuidar sozinhos. 
          Minha mãe é uma senhora muito ativa, e acredito que ainda será independente por muito tempo, e sei que ela não é o tipo de pessoa que dará o braço a torcer para as marcas da idade assim tão fácil, mas sei também, que um dia será necessário que eu faça o caminho inverso, e assuma o papel de mãe nessa relação. 
          Na nossa cabeça, pais são super heróis, e é difícil imaginá-los sem seus super poderes, mas acredite, os poderes mágicos dos pais, que fazem com que consigam dar conta das suas vidas, e das nossas, um dia se esgotas, e é nesse momento que nos tocamos que os pais são seres humanos, que como qualquer uma, tem o ciclo da vida predefinido, assim como os livros de ciências do primário ensinam, e por mais dura que seja a realidade, os pais também nascem, crescem, se reproduzem, envelhecem e morrem, mesmo a gente querendo negar isso.
          Mas é claro que não é só pela fragilidade que a velhice trás que nos tornamos pais dos nossos pais. Existem pais que não envelhecem, e sim adolescem, e com o passar dos anos, querem negar a velhice agindo como adolescentes novamente, vivendo de forma inconsequente, como se não houvesse amanhã. Conheço muita gente assim, e assim como no primeiro caso, esse também é difícil de lidar, pois precisamos lembrá-los o tempo todo a cerca dos cuidados, dos remédios, para ter juízo.
          Não querendo ser a chata, corta onda, pois também acredito que idade é mais estado de espírito do que certidão de nascimento, mas infelizmente, as vezes o corpo não acompanha a cabeça e se desgasta num ritmo mais rápido, e é preciso buscar o equilíbrio. 
          Mas o fato é: a velhice chega para todos, uns aceitam e se adaptam para ter mais qualidade de vida, outros tentam adiar ou simplesmente negam a chegada dela, mas nós, como filhos, netos, sobrinhos, enfim, mais jovens, precisamos compreender essa nova condição, e fazer com que nossos queridos velhinhos e velhinhas passem por isso da forma mais confortável possível.
          Tem gente que tem a coragem de dizer que não gosta velho, e que não tem paciência, mas a única coisa que posso dizer é que um dia chega a nossa hora, e tudo que vamos querer, quando esse tempo chegar, é viver da forma mais digna possível.


          Bjos, e até a próxima semana. :)


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