quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Papo de Quinta: Como ela consegue?


We can do it! Can we? Really?

A frase diz: Nós podemos e eu me pergunto? Podemos? Mesmo?

     Essa clássica foto, que reproduzo, de uma mulher em estilo pin up, foi feita nos anos 50, para driblar o lado frágil da mulher e focar na força da mulher, mais especificamente, na força de trabalho de mulher.

     Nós compramos esse discurso como se fôssemos as mulheres maravilhas. Mulheres queimaram o sutiã, passaram a reinvidicar direitos iguais aos homens, passaram a fumar, usar o corpo como bem entendessem e a não fazer sexo só por amor ou para procriar e tornaram-se livres. Conquistaram muitas coisas, direito a votar, direito de fazer suas escolhas.

    Será? Livres? De certa forma sim e em dadas proporções também. Hoje, a mulher da minha geração queixa-se das heroínas que queimaram sutiãs e abriram portas para que pudéssemos escolher com quem casar ou se deveríamos nos casar, quando e com quem ter filhos, ou se teríamos filhos, pílula, mini saia e liberdade sexual tem um preço bem caro, minhas Caras. E parece que a liberdade em alguns aspectos, não garantiu liberdade em muitos outros aspectos.

     Hoje em dia, a mulher se deu conta de que ficou com uma carga muito maior do que a do homem. Se antes a mulher cuidava da casa, dos filhos e do marido e de si mesmas, hoje a mulher precisa dar conta disso tudo e do seu emprego, das contas da casa, da conta do restaurante, dos filhos, do cardápio, da vida social,  da fêmea perfeita e isso gera uma sobrecarga imensa. E com a mania de pegar mais tarefas do que daríamos conta (com o mérito de sermos multi-tarefas e termos mais habilidades de comunicação e de engajamento, além do jogo de cintura que os homens), mas com o demérito de ainda assim sermos desvalorizadas no mercado por isso, afinal, em média o salário de uma mulher é 70% equivalente ao que homem recebe, ou seja, ganhamos 30% menos que homens em diversos setores (inclusive estrelas de cinema reivindicam equidade salarial em HOLLYWOOD), ou seja a situação é bem feia para nosso lado! 

    Um chefe tem coragem de pedir coisas e delegar mais atribuições à mulheres, porque além de darem conta do recado, não cobram mais por isso. Sem contar as vezes que não dizem não para o que parecia ser mega urgente e solicitado pelo chefe e não prepara o relatório ou documento, que vai ser cobrado furiosamente depois e fica com a imagem de inconpetente. Ou seja, são N situações que envolvem o comportamento feminino, o masculino, na cultura organizacional, familiar, social e há muito o que ser refletido, repensado e simplesmente substituido por novas atitudes.

     Muitas vezes nos perguntamos quando vemos uma amiga bem sucedida, feliz, bem penteada, vestindo algo da moda, viajando, comprando o imóvel dos seus sonhos, seu carro novo ou a que tenha aberto mão de tudo isso e se dedicado com maestria à educação dos filhos: Como ela consegue?

     Esse é o título do filme estreado pela eterna Carrie Sarah Jessica Parker, onde ela se vê nos dilemas da modernidade, mesmo na hora de seduzir, ser seduzida, preparar o quitute para a celebração na escola dos filhos, encarar as mães que só se dedicam aos filhos e à academia, competir com um homem pela mesma posição, sendo que ela tem atribuições em casa e é cobrada como ele jamais sonharia, ou seja, vale a pena ver com seu parceiro e falar abertamente depois sobre como se sente.

Tá aqui o trailler:




   Não tem como comparar o nosso tempo e a nossa demanda de tarefas com o tempo do homem e a demanda de tarefa deles. Quer um exemplo? Mulheres precisam ter tempo e dinheiro para se embelezarem (alguns homens até se cuidam hoje em dia, mas não precisam ficar horas cuidando dos cabelos, ir à manicure e isso poupa boas horas a mais para eles focarem no que é importante e antes que você diga que isso é amenidade, responda sinceramente: quem quer contratar ou confia em uma mulher descabelada, mal vestida, mal maquiada?). Sem contar as atribuições diárias que são tidas como exclusivamente femininas e a enorme cobrança, não importa o estilo de vida que a mulher decida ter.

     Se a mulher dedica-se à carreira, cuidando do "futuro" e legado dos filhos, é mal vista, porque não cuida da casa, do marido e dos filhos como deveria e abre mão da sua essência feminina e papel importantíssimo. Se cuida mais dos filhos e negligencia o MBA, a carreira, é taxada de incompetente, louca ou alienada. Enfim, se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come. Esse post é para pedir às mulheres que não rotulem, julguem ou culpem, sem antes estarem no lugar das outras e também pedir encarecidamente aos homens que se aventurem mais nas rotinas domésticas e retribuam o prato servido, os cuidados da mulher para que ela também tenha minutos de mordomia, folga, durma até mais tarde e fiquem com os filhos de forma amorosa, bacana, saudável quando ela precisar se trancar para produzir o trabalho com o qual se compromoteu ou escrever para o Mestrado, sem guerrear, fazer drama ou chantagem, mas simplesmente, apoiando-a. Equilíbrio é necessário, fato! Mas, é normal o homem viajar, chegar tarde, trabalhar no fim de semana e não ser cobrado como a mulher é cobrada. Não é uma ode ao workaholicismo, mas apenas um pedido de valorização e apoio mútuo.

   Eu escolhi a coluna do meio, como boa libriana. Trabalho de casa, para evitar trânsito, viagens, reuniões tarde da noite, mas, admito que ainda assim é duro e inconciliável (como algumas amigas já declararam para mim em tom de quem perdeu a batalha) ser a profissional, a mãe e a esposa perfeita. Mesmo trabalhando de casa, trabalhando da rua, não interessa, já provei dos dois, pode acreditar. A sensação que tenho é a de que nunca vou dar conta e aí choro, respiro, acordo mais cedo, durmo mais tarde e vejo que sim, sempre algo fica faltando em alguma esfera da vida. Então, resolvi tirar a pressão que eu mesma colocava em mim e priorizar o que é importante para mim, arcar com minhas escolhas e ser feliz! Se é que é possível...rs

  Eu sou muito feliz por ser mulher, compreendo que essas discussões acerca de gênero e papéis importante para algo além da igualdade. Sim, hoje, buscamos a equidade. Que é muito diferente e já comentei AQUI.

Estamos em pleno 2015 e se você acha que tudo mudou e está tudo bem, ledo engano. Ainda vivemos em uma estrutura patriarcal e muito machista. Não a toa, o movimento HE FOR SHE vem sendo veiculado em redes de TV e solicita o apoio de HOMENS que apoiam a igualdade de gêneros.
Eu sou mãe de menino e vejo o quanto é difícil a limitação de crianças com quartos rosas ou azuis e brinquedos para meninas e para meninos.



  

Não é tarefa simples ser mulher e ainda mais mulher empreendedora. Ser mulher já é um grande empreendimento e tenho admiração por homens que simplesmente reconhecem essas diferenças, são solidários, parceiros e abertos a essas discussões.

Se você é um desses, assine e participe do movimento AQUI

E para quem me pergunta: Marcelle, não sei como você consegue! Garota, eu não consigo! Algo fica para trás, apenas relaxei e priorizo o que é importante e escolho o caminho do que não quero de jeito nenhum, ou seja, o que preciso fazer para que o que tanto temo não aconteça e sigo em frente, desejando ser tão valorizada profissionalmente quanto os homens, ganhar tanto quanto eles e sendo amada, respeitada e valorizada em casa. Até o próximo Papo de Quinta.



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