quarta-feira, 30 de setembro de 2015

É só uma fase! Vai passar!


Ei, você que acha que a alta do dólar não te afeta porque não vai viajar para a Disney em janeiro! Por favor, leia o meu texto! Acho que preciso te contar que muitas outras coisas podem ser prejudicadas com a alta de mais de 50% da moeda do Tio Patinhas este ano!
O Brasil, definitivamente, gastou muito mais do que havia em caixa, ou seja, estamos com um desequilíbrio nas nossas contas. Isto gera desconfiança nos investidores, especialmente, no estrangeiro. Esta desconfiança ficou mais abalada depois que uma das agências de classificação de risco reavaliou nosso país dando um rebaixamento em nossa capacidade de pagamento de nossas dívidas. Antes disso, o governo enviou para ser aprovado, ao Congresso Nacional, um Orçamento com os gastos para 2016. Em síntese, dizia: em português claro, não temos dinheiro, mas vamos continuar gastando.
A conclusão deste desalinhamento orçamentário foi um efeito devastador no dólar. A moeda, que já estava pressionada por questões internacionais, subiu e continua sua escalada ao infinito...
Apesar de o governo ter anunciado um pacote de medidas para reduzir esta diferença de gastos, sua credibilidade com o que chamamos de agentes econômicos – empresários, produtores, investidores, população em geral – ainda é pequena, pois parte do ajuste implica em aumentar impostos. E todos nós sabemos que não vemos os benefícios dos mesmos.
          Mas voltemos aos impactos do dólar...                                                          
Como vivemos num mundo globalizado, onde os agentes econômicos trocam suas mercadorias e buscam eficiência onde são mais competitivos, muitos dos itens que consumimos são cotados em dólares, ainda que alguns sejam produzidos aqui.
Já sabemos que o nosso pãozinho, a adorada pizza e a macarronada têm trigo argentino e sendo assim seu preço está dolarizado. Apesar de sermos grandes exportadores de soja e carne seus preços também são cotados em dólar.
A solução, ou pelo menos, a tentativa, é fazermos substituições onde for possível. Consumir em menor quantidade certos itens também pode ser uma saída. Acho que já estamos fazendo, não é?
Mas aí você pensa, ah eu sou vegetariano e cortei o glúten que está presente no trigo, esta alta não me afeta. Sinto muito, meu amigo!
Pois, indiretamente, muitos produtos que compramos contêm componentes importados e os fabricantes repassam este aumento para o consumidor final, ou seja, para mim, você, todos nós.
A disparada do dólar também elevou a dívida dos Estados e Municípios. Na pior das hipóteses, podemos ver serviços públicos e servidores públicos sendo prejudicados. O mesmo também acontece com as empresas que não fizeram operações para proteção cambial, conhecida como hedge cambial.
E para quem já tem uma dívida em dólar recomendo quitá-la o quanto antes e não assumir outras na moeda. A tendência é de instabilidade do dólar e pode ter picos de alta.
Se já havia programado viagem em dólar ou euro (que também está bem alto) considere pagar tudo em espécie. Avalie o que vai gastar nos passeios, pesquise antes na internet as melhores alternativas e só use o cartão de crédito para emergência. Páginas de viajantes são ótimas fontes de informações, recomendo: http://www.goeuropa.com.br.
Aproveite o período para rever seu padrão de consumo de produtos importados. Aquela cerveja belga, o queijo suíço ou o vinho português deverão ser melhores avaliados nas próximas compras por estes meses. Não é nada essencial, é? É só uma fase! Vai passar!
E o dólar na casa dos R$ 4,00 só tem lado ruim? Alguém ganha? Sim! Com o dólar neste patamar nossos produtos ficam com preços atrativos no mercado internacional. Isto estimula os empregos de empresa nos setores ligados ao mercado exportador. Não é tão simples ou fácil, pois a economia mundial não está aquecida, mas é um canal de oportunidade para estas empresas que estão num cenário adverso local.
Outro setor que pode se beneficiar é o turismo local, visto que as pessoas evitam assumir dívidas em moedas estrangeiras e optar por gastarem em reais e, além disto, para o gringo o real está barato. Então, este é o momento do nosso setor hoteleiro fazer o melhor para seu hóspede.
Já como opção de investimento, acredito que ter uma moeda forte como mais um ativo, desde que esteja diversificada, faz todo sentido. Comprar papel moeda, eu não acredito que seja a melhor estratégia para aproveitar a alta, a não ser que tenha um compromisso no curto prazo e precise pagar em espécie. Porque você só realizará seu lucro se vender a um preço maior do que comprou. E a variação cambial diária, o que também chamamos de volatilidade, tem sido altíssima. Mais uma vez, prefiro deixar com os “caras”, com os gestores dos fundos, que se dedicam para esta função. E olha que para eles também está bem difícil acertar o momento ideal de entrada e saída.
Se um investidor tivesse aplicado em 29/06/2011, quando o dólar chegou a R$ 1,5720 e vendido em 28/09/2015, por R$ 4,1007, seu rendimento teria sido de 160,86%. O CDI foi de 50,43% e o IPCA 30,94%. Mas a quê custo, ou melhor, a quê volatilidade este dólar chegou a este resultado? Com muita volatilidade, como por exemplo, entre os dias 24/09 e 25/09 que houve uma queda de 7%.
Por isso, aplicar em outros produtos se faz necessário. Aplicar em fundos que fazem investimentos no exterior já é uma possibilidade. Os investidores podem contar ainda com fundos cambiais, apesar de o rendimento ser em real e o risco ser 2 vezes maior que um fundo de ações.
Com a alta do dólar há sempre alguém ganhando e alguém perdendo. A questão é buscar um lado da balança para ficar e aproveitar esta alta que não será eterna, assim como a baixa não foi.  


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