terça-feira, 22 de setembro de 2015

Afrontamento! Sobre os ismos e "fobias" da nossa vida cotidiana

          Volteeeeeiii!

          Estavam com saudades, né? :)

          Então, essa semana, mais uma vez, o papo é sério. Eu tinha ensaiado para falar sobre machismo, mais uma vez, porque infelizmente esse assunto parece não ter fim, mas tanta coisa aconteceu, que achei melhor expandir um pouco a discussão.
          Semana passada tive a oportunidade de assistir a um pocket show da Tássia Reis, uma cantora da nova geração que está vindo com tudo, com sua voz suave, uma pegada meio rap/jazz e um discurso incrível em suas canções. Para mim, Tássia é ícone total de empoderamento. É uma jovem, negra, linda, cheia de atitude e muito forte. No dia do show, tive a oportunidade de trocar umas poucas palavras com ela, e se eu já a admirava antes, agora então a amo ainda mais. 
          Uma das músicas que que ela cantou me chamou muito a atenção. Era um rap, chamado por ela de "Afrontamento", que ainda é cantado só em shows, e tem uma letra forte e bem realista, o que me fez entrar em estado reflexivo de forma automática. 
          Há tempos eu milito pela equidade de direitos entre gêneros, em prol das mulheres, pela liberdade de escolha, por uma vida com menos medo, em uma sociedade que infelizmente ensina os meninos a atacarem e as meninas a terem que se defender desses meninos, que acham que a mulher é um bem público. Mas depois de ouvir esse som eu realmente me dei conta de que se ser mulher já não tá fácil, imagina ser mulher e negra numa sociedade racista e machista… Tem que ter peito e coragem pra não sucumbir.
          Já sofri preconceito por ser mulher, por ser gorda, por ser “macumbeira" - sei que não é o termo correto, mas é assim que as pessoas me chamam quando falo que sou umbandista, e honestamente, eu nem ligo, assim como também já fui questionada sobre minha paixão pela cultura afro, como se eu estivesse querendo me apropriar de uma cultura que não me pertence. Mas o fato é que as pessoas que julgam quase nunca sabem as razões da nossa luta. Elas não sabem dos abusos que já sofremos, das dores que sentimos, das mazelas que passamos, das raízes que temos. As pessoas pouco se importam com os motivos, porque o preconceito, como o próprio nome sugere, é um conceito pré concebido, que não se importa com a essência. 
           As crueldades começam desde cedo, e eu me recordo de alguns apelidos que recebi na escola, mas não vou me ater a isso, pois quero falar de um caso atual. Minha sobrinha Sarah, que é filha de uma miscigenação, dia desses chegou da escola dizendo que queria ser branca. Mas por que, se ela é linda, com cabelos maravilhosos, e já é cheia de estilo (puxou a tia, é claro!)? Notamos que isso acontecia porque as amiguinhas, da escola particular onde estuda, eram em sua maioria brancas, com cabelo liso, e nessa idade, ser minoria é um processo complicado e pouco democrático. Mesmo que não hajam casos de bullying explícitos, e essa é uma fase em que a criança começa a perceber as diferenças. 
          Esse é o momento de autoafirmar, de dizer que as diferenças existem, mas que isso é bom. É o momento de trabalhar a autoestima e empoderar essa criança. É claro que seria mais fácil se situações como essas não existissem, mas no caso da Sarinha, isso foi resolvido com muita conversa, mostrando a ela pessoas que se pareciam com ela, e que eram lindas sim. Demos a ela referências de mulheres poderosas, independente de suas características físicas. Ler livrinhos de princesa da Disney NÃO ajudarão muito nesse momento, vai por mim...
          No último sábado, o Emicida, em um debate sobre racismo no Altas Horas, disse que a sociedade aplaude a miscigenação quando ela clareia, mas quando escurece, a sociedade condena. E isso é bem verdade. Quantas vezes ouvimos que uma negra ou um negro é bonito porque tem traços finos? WTF? Isso é um absurdo. 



          A música da Tássia, que falei logo no início, já começa assim: 
"Quer saber o que me incomoda, sincero
É ver que pra noiz a chance nunca sai do zero
Que se eu me destacar é pura sorte jão
Se eu fugir da pobreza, eu não escapo da depressão
Um quadro triste e realista,na sociedade machista, as oportunidades são racistas 
São dois pontos a menos pra mim.”
          É duro saber que nossa sociedade é cheia de ismos e fobias desde que ela era criancinha. Tem racismo, machismo, misoginia, homofobia, gordofobia… E tem quem pense que o assunto é ruim, é delicado por demais pra conversar abertamente, mas é assim, só assim, botando o dedo na ferida, que conseguiremos meios de curar essas doenças.
          E a Tassia termina a música dizendo: "Da zona de conforto pra zona de confronto, vai vendo.
Sumemo, me chame de Afrontamento !!!” É assim que tem que ser…
          Sei que máxima já tá batida, e é de uma campanha da prefeitura, mas é verdade: Você não precisa ser gay para lutar contra a homofobia. Da mesma forma, não precisa ser negro para lutar contra o racismo, tampouco precisa ser religioso para lutar contra a intolerância, ou mulher para lutar contra o machismo. Para todos esses casos, é preciso respeito às diferenças, somente.
          Pra fechar, queria que vissem esse discurso que a Viola Davis fez ao ganhar o Emmy de melhor atriz, e que tem muito a ver com o que eu tenho falado. 




Tássia Reis - Afrontamento! Ícone de empoderamento
Foto: José de Holanda (Reprodução do Facebook)

Princesa Sarah!


          Beijos, 

          E nos falamos na próxima semana!

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