terça-feira, 28 de julho de 2015

De mulher para mulher - essa agressão não cola!

     Voltei! :)
     E voltei mais uma vez pra falar sobre o que mais tenho dito, lido, ouvido, estudado... Voltei pra falar da gente, de mulher, do gênero feminino. Desculpem, guys, vocês podem até ler, mas minha conversa de hoje é com elas.
     Há algumas semanas eu li um livro muito, mas muito bom, que inclusive já indiquei aqui, o "Lugar de Mulher: é onde ela quiser", das gurias do blog Lugar de Mulher, e logo no primeiro capítulo, um assunto me chamou atenção. Falava sobre mulheres que tem como prazer, ou mania, desmerecer outras mulheres, desqualificando-as, chingando de puta, vadia, piranha, vagabunda, tentando se fazer superior, no meio de uma competição asquerosa, onde o prêmio é mostrar que é melhor que a coleguinha em qualquer coisa que seja.
     Pior que depois que li isso, comecei a reparar e a repensar alguns padrões. Comecei a perceber como isso está ligado com a baixa autoestima, e pensei também na quantidade de vezes eu fiz isso, mesmo que de forma inconsciente e impulsiva. Claro que já fiz, e você também - se revirar aí o baú da caixola vai se lembrar de algum momento assim. Duvido que você nunca chamou a atual do seu ex de piranha uma vezinha sequer, nem que fosse na hora da raiva, chorando com a cara enterrada no seu travesseiro. Ou então, aquela menina que saía com o cara que você era apaixonada durante a adolescência, que desfilava com ele pra cima e pra baixo, jogando o cabelo, enquanto você olhava de longe e se perguntava 'O que ela tem que eu não tenho?'.
     O fato é que é isso que esperam da gente. Isso é o que é ensinado para a gente, quando nos criam dentro dos padrões Disney, e que nos faz sofrer, em boa parte das vezes, do complexo de Cinderela - me aprofundo no complexo em outro momento. Desde que começamos a entender o que é ser gente, a criação natural e intuitiva que nos dão é a de que temos que ser melhores, melhores principalmente que as outras mulheres. Que temos que ser corretas, boas esposas, boas mães, boas na cama. Temos que ser boas para não perdermos nossos homens para as outras, que também são boas. Pode parecer radical essa forma de pensar, mas analisa aí o resultado das ações, e veja se não é isso mesmo. Aquelas que fogem um pouquinho do padrão de corretismo, não prestam pra namorar, pois são vagabundas. WHAT? Mas que raio de pensamento é esse? E isso quando a violência não é física.
     Mas agora vamos aos fatos: todos esses comportamentos estão relacionados com questões de auto afirmação, uma espécie de marcação de território, saca? Quando falamos que a colega de mesmo sexo é isso, ou aquilo, estamos tentando diminuí-la, para que possamos se melhores naquilo. E aí eu te pergunto: ser melhor para quê? Para quem? Quem foi que falou que a outra, que tem espírito mais livre, que é mais bem resolvida e desenvolta com o corpo ou com a sexualidade, está errada? Quem foi que decretou que mulher que faz sexo casual com quem ela tem vontade é piranha? Libido é coisa só de homem? Desejo é coisa só de homem? Só meninos podem se masturbar?
     Alimentar esse tipo de pensamento, ou julgamento, é alimentar a máquina machista e misógina que tanto queremos combater. Mulheres agredindo mulheres, mesmo que só verbalmente, respaldadas em argumentos retrógrados, criados por homens, para tolir a magnitude e a beleza do sagrado feminino, é entrar em contradição na luta por direitos que tentamos há tanto tempo conquistar.
     Está lançada a reflexão... Cada vez que a gente aponta um dedo pra ofender a colega, andamos dez passos pra trás na nossa caminhada por uma sociedade igualitária. Se o homem pode pegar várias numa noite, e sair como garanhão, por que quando a mulher faz igual é chamada de galinha? Ninguém tem direito de julgar o comportamento de ninguém quanto a liberdade de escolhas, e muito menos pela forma como cada um se relaciona consigo e com o mundo. O corpo é um templo individual, e só quem mora nele sabe de suas necessidades e anseios. Cada um com seu cada um, e como diz a diva mor, Jout Jout, vamos nos amar virtualmente.
     Ah, se você ficou curiosa quanto ao complexo de Cinderela, semana que vem a gente bate um papo sobre ele.



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