terça-feira, 16 de junho de 2015

Tá faltando respeito...






     É uma pena gente, que depois daquele post cheio de amor da semana passada, eu venha falar de assunto tão desagradável assim. :(
     Hoje quero falar de respeito. Respeito principalmente acerca da opinião e das escolhas do coleguinha.
     Já falei uma vez, na minha página pessoal do Facebook sobre a minha opção religiosa (nesse post aqui). Falar da minha vida e das minhas escolhas publicamente não é bem do meu feitio, mas resolvi expor minha minha opinião, assim como minha religião, como forma de protesto contra a intolerância religiosa. Na época, os jornais tinham noticiado um ato de vandalismo contra uma casa de Umbanda aqui no Rio de Janeiro. O templo foi invadido por fanáticos religiosos, e por conta do ato de vandalismo dessas pessoas, o local ficou totalmente destruído.
     Nas últimas semanas, outros dois casos de intolerância me chocaram muito. O primeiro, foi na Bahia, onde a chefe de uma casa de Candomblé, uma senhora de 90 anos, foi hostilizada durante horas por membros de uma igreja. Madriles Dias Ferreira, que comandava a casa há 45 anos, passou mal de nervoso, teve um ataque cardíaco, e infelizmente faleceu (veja mais aqui).
     No último fim de semana, uma menina candomblecista, de apenas 11 anos, foi ferida na cabeça (veja mais aqui e aqui), enquanto andava na rua, só por estar vestindo a roupa branca típica da sua religião. A menina estava acompanhada de outros membros da casa que frequenta, igualmente vestidos. Eles foram hostilizados por pessoas que estavam do outro lado da rua, que não contentes apenas em xingar, arremessaram uma pedra, que acabou atingindo a cabeça da jovem. A adolescente caiu no chão ensanguentada, e os que a acompanhavam se abaixaram para socorrer, enquanto os agressores entraram num ônibus e fugiram covardemente.
     Testemunhas afirmam que os dois casos de violência e intolerância foram praticados por grupos de evangélicos. Se realmente foi, como é que essas pessoas conseguem se colocar diante de Deus, ou dormir em paz, depois de cometer tamanha crueldade? Pessoal, na boa! Cadê a noção? Cadê o respeito? Cadê o amor? Isso é um absurdo! Somos diferentes na essência, e isso ninguém pode mudar. Se Deus nos ensinou sobre o amor ao próximo, cadê o amor dessas pessoas?
     Infelizmente a falta de respeito não para por aí. Os casos de desrespeito contra a mulher não param de crescer, e quando surge um caso na mídia, a culpa acaba caindo sobre a vítima. Sempre vai ter um engraçadinho pra dizer que é por causa da roupa que ela estava vestindo, por causa da forma que ela se comporta, porque a "mulher deu mole". Um exemplo claro foi quando o escritor Gerald Thomas literalmente enfiou a mão dentro do vestido da Nicolle Bahls, em público, sem o consentimento dela, durante o lançamento de um livro, numa livraria do Leblon. Disseram o que? Que era porque ela estava de roupa curta, ou porque ela mostra o corpo pra ganhar a vida.
     Há algum tempo, uma garota foi estuprada saindo de um baile funk nas proximidades do São Carlos. Disseram o que? Que era porque ela estava saindo do baile e estava andando de madrugada na rua. ALOÔÔ! Em nenhum dos casos, independente da roupa, de onde a pessoas estava vindo, ou a que horas estavam andando na rua, a violência se justifica. Dias atrás, um homem ejaculou na calça de uma jornalista dentro do metrô, em São Paulo. Ela estava voltando do trabalho, as sete e meia da noite e vestida. E qual foi a justificativa? Foi porque ela é mulher? Independente de estar com roupa curta, pelada ou vestida, independente de ser de dia ou de noite, não é aceitável, não é admissível e muito menos justificável.
     Já deu né, gente! Isso não pode continuar. Eu, como mulher e praticante de uma religião afro-brasileira, não quero ter que me sentir duplamente ameaçada. Também não quero ter que me defender o tempo inteiro. É por isso que eu falo, reclamo, denuncio. Sonho com o dia em que gênero e religião não serão mais motivos de violência, e sim características de uma pessoa. Ser homo ou hetero também não poder fazer diferença, porque no fim, somos TODOS SERES HUMANOS, e merecemos respeito. Doa a quem doer, aceite quem quiser aceitar, essa é a maior verdade.
     Há quem diga que sou uma incorrigível defensora dos direitos dos mais fracos, e sou mesmo, mas não dos mais fracos, e sim dos que sofrem algum tipo de injustiça. Já me meti em brigas que não eram minhas só pra defender alguém, mesmo sendo um desconhecido, que estava passando por alguma situação de desrespeito ou injustiça.
     Se todo mundo tivesse um pouquinho de consciência do sentido da palavra respeito, as coisas estariam caminhando num rumo diferente, com certeza melhor.






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