quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papo de Quinta: Um brinde ao sagrado feminino

     Eu sempre fui uma menina muito feminina, mas doida por aventuras e disputando meu lugar com os meninos, sempre tentando equilibrar os gêneros e viver em situação de igualdade e respeito, buscando uma convivência harmônica.

     Ao preparar o que ia dizer na abertura do #mulheresnocomando no iOffices, me vi repassando minha vida, como em um filme e contei para as alunas que fui escoteira em um grupo onde há 32 anos meninas não entravam e rompi essa barreira, ainda muito nova.

     A tendência das meninas da minha tropa era querer fazer tudo tal e qual os meninos, cantar grosso como eles, fazer as mesmas coisas que eles para que fossemos aceitas e respeitadas. É uma tendência feminina, imitar o modelo masculino, principalmente ao liderar, chefiar...era super natural que tivéssemos esse comportamento. Lembro que brigávamos muito, mas ficamos muito amigas. Foi muito interessante quebrar o jejum de tantos anos sem ter meninas no grupo. Foi especial demais.



Quando um pouco mais velha fui para a tropa de guias escoteiras, já com 15 anos, a chefe, Maria Dolores, sim a Kiki, da Rufus Garage Sale, estava abrindo a tropa com meninas mais velhas, para absorver as meninas que não tinham mais idade para serem escoteiras e ela já foi um pouco diferente como chefe...colocou a rosa como símbolo da tropa, trazia seu violão para que cantássemos harmonicamente, nos ensinou a fazer brownies para vendermos para as campanhas financeiras, nos ensinou a criar nossos próprios presentes para nossas festas de amigo oculto e era super feminina, mas muito competente com ferramentas, técnicas mateiras e foi com ela que montei meu primeiro acampamento suspenso em um estrado de bambus...como casas na árvore...ela dizia que teríamos que ser escoteiras sim, mas meninas, sempre!

     Ali ficou muito claro para mim que dá para ser bonita, sensual e muito competente. Foi uma referência e tanto e muito importante na minha adolescência.


Torneio internacional de Cozinha, que ganhamos em primeiro lugar representando a Espanha

Primeiro acampamento da Tropa, quando fizemos a mesa, o fogão a lenha e tudo mais

Nosso escudo, feito pela própria Kiki (Já prevendo a Rufus?) e com a rosa na flor de lis nas cores do grupo. Ela dizia que rosas eram lindas, perfumadas e tinham espinho para se protegerem...como nós!


Agradeço também a Maria Dolores, a Kiki por no meu momento maternal supremo ter se aproximado, cuidado de mim, me ensinado a costurar e me ensinado a importância de ter amigas por perto, de abrir o coração, tecendo uma rede bem quentinha, cheia de afeto. Eita, como isso faz bem, lava a alma e evita que a gente pire e engrosse a geração Rivotril...mas vamos lá...


     Eu transitei por um grupo de capoeira por anos, onde cheguei a ajudar organizando eventos, secretariando e era um universo bem masculino, mas não perdi minha feminilidade e não disputava com os meninos e via as meninas que acabavam se masculinizando e ali ficava muito clara a essência masculina e a essência feminina em busca pelo equilíbrio, como Yin e Yang.


     Na faculdade de Biblioteconomia fui presidente do diretório acadêmico e nossa comissão tinham quase 13 pessoas e somente 3 mulheres, o que chamava a atenção de algumas pessoas mais próximas, especialmente as mais preconceituosas, que me perguntavam como eu tinha feito a façanha de juntar tantos homens em um curso eminentemente feminino.
     Tenho muitos amigos homens, virei madrinha de alguns filhos desses amigos e sempre soube receber e respeitar suas namoradas, esposas e sempre busquei um ambiente em harmonia.

     Quando me tornei gerente de uma empresa americana no Brasil, o ritmo estava "punk", se é que você me entende e com o estado workaholic sendo pouco para definir minha situação no momento, me via embrutecida. Bebendo demais, fumando charutos, falando muito palavrão e tendo muitas dificuldades de relacionamento com Rodrigo. Na época trabalhávamos juntos.

     Me achava super feminina e experimentava o poder, a independência e a liberdade de ir e vir e a liberdade financeira, mas tive o feedback de alguém muito próxima da minha essência: minha prima Érica (que inaugurou a Tropa feminina junto comigo, fez parte de grandes momentos da minha vida), que hoje estuda o Sagrado Feminino, de que não, eu havia me embrutecido. Ela fez questão de vir para minha casa passar um tempo comigo, após me observar em um estado onde eu não tinha consciência, mas tinha perdido contato com meu sagrado feminino. Sou gratíssima à ela!

     Eu vejo que embora sempre calma e doce, com os clientes, carinhosa com a equipe, eu estava envolvida em uma atitude de muita liderança e muita agressividade, muita voracidade, muita passionalidade e vivia exausta. Eu sofria, e chorava feito uma criança, quando tudo desmoronava a minha volta e não conseguia lidar com as consequências quando as pessoas reagiam ao meu excesso de energia.

     Você se identifica? O que causa isso em muitas mulheres da minha geração e cada vez mais nas gerações futuras? 
     O afastamento do Sagrado Feminino.


Miguel, minha prima Érica e eu visitando o Parque Nacional de Itatiaia...lavando a alma, muito bom estar com ela!


     Érica, já havia tido contato com tudo isso acerca do sagrado feminino e muito instintiva se doou e quando veio cuidar de mim por um tempo, me ensinou a ter uma alimentação mais natural, a ficar em silêncio, a ter contato com a natureza e à noite, após o jantar em nossas conversas na rede, ela me tocava a real...eu precisava mudar, me conectar com mais tranquilidade com as pessoas, em especial com meu marido, nosso amigo de infância e escotismo, que ela conhece muito bem e muita tranquilidade para gerar outro ser e trazer o Miguel para nossa vida. Mas eu não enxergava o que ela queria dizer, mas algo foi mudando em mim fortemente e foi como se eu tivesse ouvido um chamado. Sim, um chamado pela maternidade, causando uma revolução em mim. 

     Algumas pessoas, como ela, foram peça chave para que eu desacelerasse e entrasse em sintonia com meu Sagrado Feminino e sou muito grata a cada uma delas.

     Rodrigo foi fundamental, dando muito apoio e o Miguel, nem se fala...

     Uma vez, sentada no chão do corredor do meu obstetra, Dr. Carmine Masullo (enquanto o aguardava...sim, eram longas esperas), achei uma revista que trazia uma matéria científica sobre como nós mulheres enlouquecemos e vamos parar em manicômios ou nos suicidamos se não trabalharmos nosso feminino ao longo da vida.
     A Doutora (sim, ela defendia uma tese de doutorado) provava que não era misticismo, mas era antropológico, ancestral a nossa necessidade de nos conectarmos com nosso EU FEMININO para nos mantermos lúcidas. Ela comprovou estatisticamente que mulheres que não tiveram filhos, mulheres que não se permitiam fazer um bolo e tomar um café da tarde com a vizinha, mulheres que não conversavam com outras mulheres sobre coisas da vida, enfim...as que não tricotaram, costuraram, pintaram ou trabalharam essa essência repetindo gestos das nossas ancestrais...chegavam à loucura e à depressão, primeiro embrutecendo. Aquilo me chamou muito a atenção.

     Eu levei um susto. Porque naquele momento o que eu mais queria fazer era bolo no fim de semana, decorar minha casa, aprender a costurar, e de fato a minha nova rotina ao deixar meu antigo emprego foi o que me curou de uma depressão e da loucura, pude crer.

     Antes de engravidar do Miguel, poucos meses antes, eu perdi uma gravidez e o Dr. Carmine me recebeu em um dia 23 de abril, dia de São Jorge (feriado). Nós ficamos quase umas 3 horas conversando e eu me preparava para uma curetagem. Estava chocada com o fracasso da gravidez e da perda e isso refletia como eu havia sido petulante ao repetir inúmeras vezes que não queria ser mãe 
(eu tinha muito medo de engravidar) e aí quando tentei...pah...não deu certo...foi assustador e uma puxada de orelha do universo...para 3 meses depois vir o Miguel, meu maior presente.

Muitos dizem que a maternidade me tornou mais tranquila. Érica me disse outro dia, que a maternidade me conectou com minha essência. Eu acredito que sim. E sou grata!

     Mas, o interessante, foi que o médico abriu meus olhos e explicou como é fato que o corpo da mulher é feito para "enlouquecer"...ou ter "depressão", dados hormônios e maneiras de lidar com a emoção.

     E ele me salvou com aquela conversa e com dicas preciosas para lidar com aquela perda.
     
     Cada uma de nós deve se cuidar. Isso é sério e deve ser compromisso diário. 

Corpo
Mente
Saúde
Psicológico
Espírito
Natureza
Emoções
Relações
Intelecto

     Cada esfera e cada parte da nossa vida deve ser cuidada com muito esmero.

     Lembro que uma professora, na época do Liceu, nos falou sobre Brumas de Avalon e todo um conceito Celta sobre a Deusa (Terra) ser cultuada pelas sacerdotisas, que não aceitavam o patriarcado, o masculino, as guerras...e eu devorei os 4 livros, que foram muito importantes para mim.

     O Sagrado Feminino pode ser estimulado quando você entra em sintonia com sua essência, com seu corpo, com sua natureza, com seus ciclos, com sua gestação, com seu amadurecer com sabedoria, sem medo de envelhecer, respeitando seu ritmo, sua essência, equilibrando-se.

     Há grupos com práticas desde meditação, conversas, dança, alimentação e muito mais, independente de credo, para o empoderamento feminino e muita informação na internet.

     Quando nos equilibramos, nosso trabalho se equilibra, nossa casa se equilibra, nossa relação se equilibra, nossos filhos se equilibram e só nós mesmas podemos nos equilibrar e entrar em harmonia. Começa com nossa vontade de ter paz, tranquilidade e equilíbrio na vida e conseguirmos isso exercendo coisas ligadas ao sagrado feminino, que são muito instintivas...basta que passemos a nos ouvir.

     O mercado de trabalho, a competitividade, a correria do dia-a-dia nos coloca em um lugar muito ruim, onde nos desequilibramos. Na época em que estive muito longe do meu sagrado feminino, Rodrigo sugeriu uma terapia de casal e a psicóloga foi indicada por uma amiga do mestrado, que também recomendava a terapia, tamanha minha angústia à época. 

     Em uma das sessões, a terapeuta mandou na lata que ela estava em um grupo de estudo sobre mulheres e que eu estava competindo com Rodrigo de uma maneira muito negativa e que nossa geração, considerada como um grupo de  "mulheres fálicas", imitamos tanto os homens, que falta pouco colocar o pau na mesa para medir, com perdão da expressão, mas representando o quão ruim somos cópias de homens, quando ao invés, deveríamos ser nossa mais pura essência e trazer equilíbrio para as relações. Foi antes de eu engravidar. E foi um começo para que eu realmente começasse a me olhar mais como mulher.

     Essa foi minha história e como ando tão envolvida com temas relacionados à mulher, muitas coisas caem na minha visão e tenho refletido muito sobre a questão de gênero. E sei que isso não é à toa. Sei que posso ajudar a muitas mulheres com nosso projeto, enfatizando o empoderamento feminino e esperamos que essa energia cresça e se multiplique.

     Que você encontre alegria, equilíbrio, liberdade para cultivar o seu sagrado feminino e viver uma vida mais livre e feliz e veja mais e converse com mais com suas amigas, sem essa de papo "mulherzinha", momento "mulherzinha", como se fazer algo relacionado à sua essência merecesse esse diminutivo e não fosse importante. Que é isso, gatas? Bora colocar em prática papo e dons femininos e ser felizes! Quando somos mais cúmplices e menos críticas, nos empoderamos e quando nos empoderamos, nos equilibramos.
       

     Quinta volto com mais um papo e adoraria se você comentasse e contasse sua experiência!
     
     Comente!

Beijocas, Marcelle Rebelo









5 comentários:

Fê Dutra disse...

Talvez o fato de sermos seres que sangramos, dias a fio, todos meses e não morremos, explique essa inquietude e essa busca, constante, por mudanças. Não vejo outra explicação para a mente feminina ser tão especial.

Tupã disse...

Que lindo Cel! Fico muito feliz por vê-la nesta missão do resgate do sagrado Feminino. Te amo prima!

Sou Flor disse...

Adorei a sua historia ,muitas mulheres da nossa geração sofrem do mesmo mal.
Poucas são as que escutam a voz da razão ,aonde na maioria das vezes o corpo começa a dar sinais e entendem que è hora de parar e pensar um pouco em sua vida.

Fernanda Brum Marques disse...

Lindo e emocionante! Muito profundo...
Vontade de te abraçar!
Beijos no coração!

Denise Estrella disse...

Obrigada Fernanda por compartilhar esse texto depoimento sincero e de "cara lavada".
Muito Obrigada, Marcelle por dividir sua vivência/experiência no universo da liderança feminina.
É possível ser Líder e manter a essência Mulher! Costure tudo isso com a Linha do Equilíbrio.
Bjs

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